O estatal Jornal de Angola saúda, na edição desta sexta-feira, a visita da presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, no editorial e num artigo de opinião, que a apresenta como «democrata de sempre» e «antifascista convicta».

No editorial, intitulado «Ataque à liberdade», e a pretexto do ataque informático, que alega ter sido alvo nas últimas duas madrugadas, classificando-o de «fortíssimo», o «Jornal de Angola» compara-os com os «ataques diários que sofre de políticos e jornalistas em Portugal e Angola».

Fazendo o contraponto às «figuras da extrema-esquerda e da direita mais retrógrada em Portugal», que desferem «ataques violentos» contra o Jornal de Angola, o único diário que se publica em Angola saúda a vinda de Assunção Esteves, destacando que a sua comitiva não integra elementos da extrema-esquerda.

«Os da extrema-esquerda estão tão desorientados que desperdiçam a oportunidade de conhecer Angola, ver o nosso país sem palas, falar com os angolanos de todas as cidades vilas e aldeias. Tiveram medo de ver como a liberdade está a viver aqui. Ainda bem. Assim, a comitiva da presidente da Assembleia da República Portuguesa, Assunção Esteves, vem mais construtiva», comenta-se no editorial.

A visita de Assunção Esteves a Angola decorrerá na próxima segunda, terça e quarta-feira, e tem como objetivo a participação numa reunião da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), decorrendo em simultâneo um encontro bilateral entre representantes dos parlamentos dos dois países.

A presidente da Assembleia da República convidou, como habitualmente, os grupos parlamentares a estarem representados na comitiva, tendo o Bloco de Esquerda recusado acompanhar Assunção Esteves.

«A democracia não é plena em Angola. Há direitos fundamentais que não são respeitados, a liberdade de imprensa não é plenamente respeitada, a liberdade de manifestação não é plenamente representada», justificou à Lusa em Lisboa o líder parlamentar bloquista, Pedro Filipe Soares.

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, anunciou no dia 15 de outubro, em Luanda, a suspensão da construção da parceria estratégica com Portugal, durante o discurso sobre o estado da Nação, na Assembleia Nacional de Angola, apontando «incompreensões ao nível da cúpula e o clima político atual».

No artigo de opinião, sem assinatura, e sob o título «À espera de uma visita ilustre», o texto volta a destacar Assunção Esteves. «A presidente da Assembleia da República Portuguesa é uma democrata de sempre, antifascista convicta e por isso mesmo anticolonialista. Vai ser seguramente recebida em Luanda como merece pelo seu passado político, por ser a segunda figura do Estado, mas também pela sua simpatia pessoal», escreveu o articulista.

O texto releva ainda que os presidentes dos grupos parlamentares portugueses reuniram-se com Assunção Esteves para preparar a viagem a Angola «com o cuidado que ela merece, numa altura em que a comunidade dos países que falam a língua portuguesa tem tudo a ganhar se estreitar laços e adotar posições comuns na cena política internacional».