Israel decidiu hoje terminar a operação «Margem Protetora» em Gaza sem negociar um acordo com o movimento islâmico Hamas, nem aceitar mais tréguas, disse hoje fonte do governo de Benjamin Netanyahu citado pela imprensa local. Entretanto, o Hamas admitiu a possibilidade de que o soldado israelita desaparecido pode estar morto.

A decisão foi tomada durante uma reunião realizada na sexta-feira pelo gabinete para assuntos de segurança, em que os seus membros acordaram que Israel não vai alcançar um acordo com o Hamas para pôr fim às hostilidades, mas que vai atuar por sua própria iniciativa até estarem cumpridos todos os objetivos, noticiam os principais órgãos de comunicação social do país.

A operação militar israelita «Margem protetora», que começou a 08 de julho, causou mais de 1.600 mortos palestinianos e 63 israelitas.

Em 26 dias de ofensiva, Israel lançou mais de 4.000 ataques aéreos em Gaza.

A Agência France Presse avança que, pela primeira vez desde o início da operação israelita, que soldados de Israel foram retirados das cidades de Beit Lahiya (norte) e Younis Khan (sul).

Ao mesmo tempo, o exército israelita anunciou que os civis podiam «regressar em segurança para Beit Lahiya e Al-Atatra», situadas na fronteira, disse um porta-voz do exército, insinuando que o exército poderá ter encerrado as suas operações nesses setores.

O braço armado do movimento islamita Hamas, as «Brigadas de Ezzedim al-Qasam», admitiu hoje que o soldado israelita alegadamente capturado em combate poderia estar morto.

«Perdemos o contacto com um grupo dos nossos combatentes quando as forças de ocupação israelita penetraram na zona este de Rafah. Suspeitamos que morreram devido aos ataques israelitas, incluindo o soldado que, supostamente, foi capturado pelo grupo», refere um comunicado do braço armado do Hamas citado pela agência palestiniana Maan.

Segundo o exército israelita, as suas tropas foram atacadas em Rafah (junto à fronteira com o Egito) uma hora depois da entrada em vigor do cessar-fogo de 72 horas acordado pelas partes envolvidas no conflito, com início às 08:00 locais de sexta-feira (05:00 de Lisboa).

Milicianos palestinianos saíram de um túnel e atacaram de surpresa os soldados, dois dos quais morreram, informou o exército israelita que colocou a possibilidade de um terceiro militar, identificado como Hadar Goldin, ter sido capturado.

As «Brigadas de Ezzedim al-Qasam» negaram hoje, por seu turno, ter capturado o soldado israelita e asseguraram desconhecer as circunstâncias do seu desaparecimento.

«O que sucedeu na sexta-feira de manhã em Rafah foi que as forças da ocupação aproveitaram o cessar-fogo para invadir mais uns quilómetros do nosso território», refere o comunicado.

O braço armado do Hamas estima, de acordo com a mesma nota, que os seus combatentes se envolveram em confrontos com as tropas israelitas pelas 07:00 locais, «uma hora antes do início da trégua», e acusa o exército de Israel de ter atacado civis «violando o cessar-fogo sob pretexto de encontrar o soldado desaparecido».

O Hamas, que rejeita ter informações sobre a captura do soldado, acusa Israel de utilizar a alegada detenção do militar para «justificar as suas agressões contra o povo palestiniano».

Entretanto, em comunicado, o porta-voz do Hamas em Gaza, Sami Abu Zuhri, considerou que «a declaração da ocupação israelita de que um dos seus soldados foi capturado tem o objetivo de confundir a opinião pública e justificar a violação do cessar-fogo».

Desde sexta-feira que a cidade de Rafah tem sido duramente castigada pelo exército israelita através da intensificação dos bombardeamentos, asseguraram fontes locais.