As mulheres com autismo são mal diagnosticadas ou fora do tempo, revela uma investigação internacional com o nome «Autism in Pink».

O principal objetivo deste projeto financiado pela União Europeia e com a participação da Federação Portuguesa de Autismo foi estudar as mulheres com autismo, as suas necessidades e competências, ajudando-as a ultrapassar as suas dificuldades.

No decorrer do estudo foi reconhecido «ser norma» os diagnósticos tardios nas mulheres, o que é explicado pelo facto de ser uma doença que afeta mais homens.



Uma das investigadoras, Judy Gould, sustenta que um diagnóstico atempado «pode evitar as dificuldades que as mulheres e raparigas sofrem durante a sua vida», ao mesmo tempo que ajuda na avaliação das necessidades ao nível da educação, lazer, residência, relações sociais ou emprego.

A investigação revelou também que enquanto os rapazes autistas são mais hiperativos e agressivos, as raparigas são mais passivas.

O estudo internacional conclui ainda que as dificuldades são semelhantes tanto em homens como em mulheres com autismo mas a forma como este afeta cada individuo, varia consoante o sexo.

As mulheres são mais competentes para cumprir ações sociais por imitação e sentem mais necessidade de interação socialmente do que os homens, revela o estudo.

Os investigadores concluíram também que as mulheres têm mais capacidades linguísticas e uma melhor imaginação, embora tenham dificuldade em separar a realidade da ficção.

Estes e outros resultados serão apresentados esta sexta-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, no decorrer da apresentação do projeto « Autism in Pink ».

Sabia que...

O autismo é uma alteração que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo, de socialização e comportamental no que respeita à sua capacidade de reação ao meio no qual está inserido.