Última atualização às 19h15

Os jihadistas do Estado Islâmico divulgaram esta terça-feira um vídeo com a decapitação do jornalista Steven Sotloff, que tinha sido raptado em agosto de 2013.

O aviso é claro: os países têm de parar com a «aliança do mal da América contra o Estado Islâmico», cita a Reuters.

No derradeiro momento em que pôde expressar-se, o jornalista diz que está a «pagar o preço» pela decisão da administração de Barack Obama de atacar os alvos ISIS no Iraque, avança o New York Times, que já terá visto o vídeo, com 2,46 minutos, produzido pelo grupo al-Furqan Media Foundation.

«Você gastou milhares de milhões de dólares dos contribuintes norte-americanos e nós perdemos milhares dos nossos tropas na nossa luta anterior contra o Estado islâmico. Onde está então o interesse das pessoas em reacender a guerra?», questiona Sotloff.

O homem mascarado que aparecia com Foley, o primeiro jornalista decapitado, é o mesmo deste vídeo. Ao lado de Sotloff avisa: «Eu estou de volta, Obama, e eu estou de volta por causa da sua política externa arrogante para com o Estado islâmico».

E mais: condena a «insistência» de Obama «em prosseguir com seus bombardeamentos e [inaudível] em Mosul, apesar das nossas advertências».

Novo aviso: «Você, Obama, colocou outros cidadão americanos à mercê para ganhar as causas que são suas. Assim como os mísseis continuam a atacar o nosso povo, a nossa faca continuará a atacar o pescoço do seu povo».

O rebelde mascarado ameaça ainda outro refém britânico, de nome David Haines.





EUA e Reino Unido reagem

Dos EUA, a primeira reação da Casa Branca é que não consegue confirmar, por agora, a autenticidade do vídeo desta segunda decapitação.

Já o primeiro-ministro britânico David Cameron veio condenar este ato «absolutamente repugnante» e «desprezível», numa curta declaração.

Steven Sotloff, de 31 anos, foi apontado como o próximo alvo dos jihadistas depois da decapitação do jornalista norte-americano James Foley. No final do vídeo da decapitação, os rebeldes islâmicos citaram o seu nome.

Steven Sotloff desapareceu em agosto de 2013, quando estava na Síria, em reportagem. A família preferiu manter o seu desaparecimento fora da esfera pública.

No ano passado, a família de Sotloff e as agências governamentais dos Estados Unidos tentaram a libertação do jornalista, sem sucesso.

A mãe do jornalista norte-americano deixou, no final de agosto, uma mensagem de vídeo aos jihadistas, implorando para que libertassem o filho.

De notar que o autoproclamado Estado Islâmico da Síria e do Iraque conta com a participação de vários jovens emigrantes de segunda e terceira geração. Os portugueses não são exceção. Sabe-se que há pelo menos 12 a combater e a defender as causas extremistas dos jihadistas.

O vídeo da decapitação foi colocado num site de partilha de ficheiros, tendo sido divulgada uma versão curta no SITE Intelligence Group, uma organização norte-americana que monotoriza grupos de radicais islâmicos.