O vice-presidente egípcio Mohamed El Baradei, com a tutela das relações exteriores, apresentou esta quarta-feira a sua demissão, após os confrontos violentos registados nas últimas horas no Egito.

«Apresento a minha demissão do cargo de vice-presidente e peço a Deus, o altíssimo, que guarde o nosso querido Egito de todo o mal e que cumpra as esperanças e as aspirações do povo», escreveu o Nobel da Paz, numa carta dirigida ao Presidente egípcio interino, Adly Mansour.

«Tornou-se difícil continuar a assumir a responsabilidade por decisões com as quais não estou de acordo», referiu ElBaradei na mesma missiva, citada por agências internacionais.

A polícia egípcia dispersou hoje, com recurso à violência, apoiantes do ex-presidente islamita Mohamed Morsi, destituído e detido pelo exército em julho, que estavam concentrados em praças no Cairo.

Pelo menos 124 manifestantes foram mortos na praça Rabaa al-Adawiya, no centro do Cairo, segundo o testemunho de um jornalista da agência France Press.

A presidência interina egípcia declarou entretanto estado de emergência durante um mês, medida que será imposta em todo o território do Egito.

Momentos depois, o governo interino impôs um recolher obrigatório no Cairo e em outras 13 províncias do território.