A exposição intitulada de «Revelados, Berlim e os seus monumentos» vai ser inaugurada já na próxima primavera, em Berlim, mas falta-lhe uma peça fundamental: uma estátua de Lenine.

A estátua encontra-se enterrada desde a queda do muro e recuperá-la está a causar grande polémica devido ao seu significado político.

A 19 de abril de 1970 houve uma grande festa na praça Lenin, onde estiveram presentes cerca de 200 mil pessoas para celebrarem um acontecimento histórico que se destinava a realçar a amizade entre a União Soviética e a República Democrática da Alemanha (RDA). Nesse dia foi erguida uma estátua de Vladímir llich Uliánov, Lenine, de 19 metros de altura, um testemunho do respeito que a classe trabalhadora tinha pelo líder comunista.

Com a queda do muro de Berlim e o desaparecimento da RDA, em 1990, a estátua não iria durar muito. Aguentou-se apenas mais um ano de pé e depois foi demolida, foram precisos três meses para ser cortada em 129 pedaços que foram enterrados num bosque fora de Berlim.

Andrea Thiessen, a responsável da Cultura do Ajuntamento de Spandau, quis converter uma fortaleza militar construída no séc. XVI, a histórica Ciudadela, num centro histórico e cultural com mais de uma centena de monumentos e estátuas que marcaram a vida quotidiana de Berlim nos últimos séculos. A diretora da exposição disse ao jornal espanhol «El País» que ao elaborar a lista dos objetos que queria pensou imediatamente na cabeça da famosa estátua de Lenine, devido à importância política que os monumentos construídos na época da RDA tinham e o destino que tiveram após a unificação do país.

Em março deste ano, Andrea pediu autorização para a recuperar, só que obteve uma resposta negativa. Recorreu então ao ministro Michael Müller (SPD), que dirige o departamento de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do governo de Berlim, para pedir uma explicação. A resposta foi novamente negativa, sendo um dos argumentos a falta de dinheiro para desenterrar a cabeça, outro o facto de nem sequer saberem onde estava enterrada e tendo-lhe ainda sido dito que os vários pedaços da estátua deveriam permanecer juntos.

Petra Rohland, uma alta funcionária do Departamento de Desenvolvimento Urbano, justificou a decisão dizendo ao «El País» que, por se tratar de uma decisão de cariz político, ainda era demasiado cedo para mostrar essa cabeça ao público, acrescentando que as novas gerações ainda não estão preparadas para se confrontarem com o que representava Lenine.

Pouco depois da unificação de Berlim todos os monumentos dedicados a Lenine desapareceram da cidade, esta estátua foi apenas um deles, mas Andrea Thiessen confessou que não iria desistir de a ter na sua exposição uma vez que tem grande significado na história da Alemanha.