A polícia de Cobb County, na Georgia, EUA, apresentou, esta quinta-feira, numa audiência judicial, as provas que recolheu e que indiciam que Justin Ross Harris, um pai do mesmo estado, deixou o filho de 22 meses morrer no carro, devido ao calor, intencionalmente.

O caso tem chocado a opinião pública dada a alegada indiferença do pai perante o trágico acontecimento. Os dados mais recentes, revelados pela polícia, indiciam a intenção do pai e adensam a condenação pública. Um dos investigadores do caso, Phil Stoddard, revelou que durante o tempo em que a criança foi deixada no carro, o pai trocou mensagens de índole sexual com uma jovem menor de idade.

A polícia apresentou uma acusação em que afirma que o pai de 33 anos vivia «uma vida dupla» e que, apesar de casado, trocava com frequência mensagens com imagens sexuais com várias mulheres, incluindo no dia em que a criança morreu.

A polícia adiantou ainda que Justin Ross Harris e a mulher tinham dois seguros de vida em nome do filho. Um no valor de 1500 euros e outro de 18 mil euros e que a mãe do bebé estaria desagradada com os gastos consumistas do marido. Dados que podem indiciar a possibilidade de existirem também motivos financeiros para o alegado crime.

Argumentos que levaram o juiz do caso a determinar que o pai do bebé, preso preventivamente, não poderá sair em liberdade mediante o pagamento de uma caução.

Às autoridades Justin Ross Harri disse que deveria ter levado o filho à creche na manhã de 18 de junho, mas seguiu para o trabalho sem realizar que a criança estava no banco de trás do carro.

Na audição, a defesa do pai contestou os indícios de que o pai teria agido com intenção de matar o filho. «Eu penso que o real propósito de tudo isto é envergonhá-lo publicamente», disse o advogado Maddox Kilgore, lembrando que a família vai ter de lidar com o «catastrófico acidente» para o resto das vidas. Justin Ross Harri, que até ao momento se tinha mostrado resistente, chorou quando ouviu as palavras.

Mas as suspeitas em torno do pai baseiam-se ainda nas pesquisas efetuadas na Internet nos dias antes ao alegado crime. O pai do bebé terá consultado sites sobre as contrariedades em ter filhos e pesquisado sobre como seria viver na prisão.

«Penso que as provas agora estão a mostrar intenção», disse o investigador, que lembrou ainda ausência de emoções de Harris quando foi interrogado pela polícia e o facto de, quando foi mandado parar pela polícia, já com a criança sem vida no carro, recusou desligar o telemóvel, por duas vezes, tendo depois sido detido enquanto injuriava os polícias.