Às eleições legislativas do próximo domingo na Tunísia precede um clima de terrorismo. Esta sexta-feira, seis alegados terroristas, incluindo cinco mulheres, foram mortos em confrontos com as forças de segurança. O clima de ameaça intensificou-se a dois dias do país eleger a assembleia parlamentar e avançar rumo à democracia. Uma intenção, que à semelhança do que ocorreu já noutras partes do mundo, está a potenciar a atividade de radicais islâmicos, com as autoridades a assumirem que existe a intenção de perturbar as eleições.

Depois de um impasse de mais de 24 horas, as autoridades governamentais, pela voz do ministério do Interior, anunciaram que tinha chegado ao fim o cerco a uma casa nos arredores de Tunes, onde, segundo uma denúncia, estavam escondidos dois terroristas. O balanço final não poderia ser mais sangrento: sete pessoas morreram. Seis alegados terroristas, incluindo cinco mulheres e um dos radicais inicialmente procurado. O outro e uma criança ficaram feridos com gravidade. Horas antes, um polícia tinha também perdido a vida quando os autoridades e os radicais trocaram vários tiros. 



O cerco manteve-se durante várias horas com algumas agências de informação com repórteres no local a avançarem que se tratava de um sequestro em que as mulheres e crianças estariam reféns dos terroristas. A informação não é confirmada pelo Governo que por um lado recusou considerar o incidente como um sequestro, adiantando que eram todos membros da mesma família, como por outro afirmou que as vítimas mortais eram todos terroristas.

Os relatos são imprecisos. Há informações de que as mulheres terão sido usados como escudos humanos pelos terroristas e existe a contra-informação de que uma das mulheres era esposa de um radical e que terão sido as mulheres a disparar da cozinha contra as autoridades que cercavam a habitação.

Segundo o Governo, na versão oficial, as forças de segurança chegaram ao local depois da detenção de dois outros terroristas, após um confronto em Kébili, 500 km a sul de Tunes, durante o qual um outro polícia foi morto, adiantou à AFP o porta-voz do ministro do Interior, Mohamed Ali Aroui. A «dica» indicava que os radicais estavam escondidos na casa e teriam como intenção algum boicote às eleições de domingo.

Numa fase inicial, as autoridades ainda tentaram negociar e afirmaram mesmo que estavam a evitar «tomar de assalto» a casa, dada a presença de mulheres e crianças. No entanto, e cerca de 24 horas depois, as autoridades acabaram por entrar a força na habitação e terminaram o impasse de forma sangrenta.

A Tunísia tem lutado para controlar os radicais radicais e jihadistas que se opõem à transição democrática depois da queda, em 2011, de Zine el-Abidine Ben Ali, o ditador que governou o país desde 1987, depois de ter chegado ao poder através de um golpe de Estado. Ben Ali acabou por cair da cadeira do poder em consequência dos protestos em 2010- 2011, intitulados como a Revolução Jasmim. O ditador foi condenado por vários crimes no país, mas está exilado na Arábia Saudita. 



A Tunísia vê-se assim «obrigada» a reprimir e controlar «os descendentes» de Ben Ali em vésperas de eleições, assumindo um discurso de que há a intenção dos radicais em comprometer as eleições.
A segurança e o desenvolvimento económico são as principais preocupações dos eleitores que esperam que a eleição consolide a democracia no país depois de anos de disputas que quase inviabilizaram o processo de transição.

Assim, a Tunísia fechou nesta quinta-feira as fronteiras com a Líbia como medida preventiva de segurança, tentando que conter os militantes islâmicos e fações armadas vizinhas de alimentarem o clima de instabilidade no país.