O recruta é cuidadosamente escolhido entre a sua comunidade, por um recrutador da Al Qaeda que procura ocidentais que lutem lado a lado com os radicais da Síria.

Um desertor, que prefere manter o anonimato, conta à CNN que um grupo de jihadistas (apoiantes da Al Qaeda) iniciam várias conversas de grupo online para começar a doutrinar e filtrar potenciais recrutas fora da Síria.

Os recrutadores são a porta de entrada do Ocidente para o Estado Islâmico no Iraque e na Síria (EIIS). O primeiro contacto é feito através do twitter, quando o recrutador envia uma mensagem ao EIIS a perguntar se pode falar com pessoa x. Se for autorizado a conta dessa pessoa começa a ser seguida para que possa ser enviada uma mensagem privada (o twitter permite enviar mensagens privadas apenas às contas que se seguem). As conversas são sempre supervisionadas pela unidade responsável pela recruta e perguntas sobre religião, por exemplo, precisam de autorização.

O desertor conta que não fala inglês e por isso comunicava com os recrutadores ingleses e franceses usando aplicações de tradução.

A mesma fonte conta que as conversas podiam durar horas e aconteciam durante duas semanas. O desertor conta que falavam sobre informação básica sobre a vida dentro do EIIS e do estado islâmico. O anónimo lembra que alguns perguntaram sobre o casamento com várias raparigas e outros pediram para ver vídeos de execuções nunca vistas.

O desertor conta que quando alguém é escolhido e viaja para a Síria o passaporte fica na posse da unidade onde é integrado. Acrescenta que quando chegou ficou preso um dia por não ter cumprido todos os passos da recruta. Agora que fugiu ainda teme pela sua vida e confessa que não esperava que o EIIS mentisse e brincasse com a sua mente.

A história deste desertor é confirmada por uma testemunha com um largo conhecimento da vida na Síria e dentro do EIIS. O desertor fugiu da Síria quando dois dos seus familiares foram assassinados e está agora escondido na Turquia. O desertor conta que os europeus são muito procurados e tratados de forma especial pelos recrutadores.

A mesma fonte conta que se lembra de um britânico que foi recrutado e que perguntou ao chefe da unidade se deveria combater na Síria ou no país de origem. A resposta dada ao britânico foi a de que se Deus não desse um martírio na Síria, poderia combater no país de origem.

Oficiais ocidentais estão preocupados com o número cada vez maior de passaportes a viajar para a Síria para combater e também com a possibilidade destes radicais regressarem e praticarem terrorismo doméstico. Os oficiais têm registo de centenas de franceses e britânicos que viajam para a Síria e retornam.

No mês passado, o norte-americano Moner Mohammad Abusalha, da Florida, morreu como homem-bomba. Moner foi o primeiro norte-americano a cometer suicídio desta forma.