O presidente do Conselho Europeu comentou hoje, em Bruxelas, que a forma como a União Europeia gere a migração será “fundamental para o referendo” de junho quando o Reino Unido votar a sua permanência, ou não, entre os 28.

Num debate do Parlamento Europeu sobre as conclusões da cimeira de chefes de Estado e do Governo, da semana passada, Tusk garantiu a relação entre as migrações e o ‘Brexit’ porque “quem quiser manter a unidade da União Europeia (UE) e a unidade do Ocidente deve usar a máxima determinação e criar um plano comum”.

“Se não houver uma ação unida, pode-se contribuir para uma saída do Reino Unido da UE”, disse Tusk, na sua última intervenção no debate, no qual reafirmou que não haverá mais negociações com os britânicos depois da "maratona" de quinta e sexta-feira.

“O acordo só entra em vigor se o Reino Unido decidir ficar. E ninguém tenha ilusões, se decidirem sair, o acordo caduca”, sublinhou Tusk, indicando ainda que o compromisso está em conformidade com os tratados europeus e não pode ser anulada na Justiça.

O eurodeputado português Paulo Rangel (PSD) qualificou hoje de “francamente satisfatório” o acordo, ao “manter os valores principais da UE e ir, de algum modo, de encontro às perplexidades do Reino Unido”, e sublinhou ser “decisivo” que a UE “torne muito clara que se a opção for a saída, haverá consequências irreversíveis”.

Já Maria João Rodrigues (PS) interveio acerca da crise migratória, defendendo o investimento em Schengen para que a fronteira europeia seja “do século XXI” que permita “desenvolver relações entre a Europa e os vizinhos”.

No acordo alcançado com os seus parceiros europeus, o primeiro-ministro David Cameron garantiu um estatuto especial do país e reformas em quatro áreas para fazer campanha pelo 'sim' no referendo sobre a permanência do seu país entre os 28: competitividade, governação da zona euro, benefícios sociais e soberania nacional.