A dúvida persiste. Por enquanto. Desde a manhã de segunda-feira, 27 altas patentes militares foram presentes a tribunal. Akin Ozturk, detido e afastado do comando da Força Aérea, terá já assumido a autoria do golpe militar.

A informação da agência estatal turca Anadolu é ainda escassa e não tem confirmação de outras fontes. Entretanto, as televisões privadas NTV e Haberturk relatam que o depoimento foi precisamente o inverso.


Não fui eu quem planeou ou dirigiu a tentative de golpe no dia 15 de julho e não sei quem o fez”, terá dito o general em tribunal, segundo a estação NTV.

Antes de ser presente a tribunal, Akin Ozturk  havia negado qualquer envolvimento na tentativa de golpe militar que continua a ser duramente reprimida. Mais de 7500 pessoas foram já detidas, entre os quais mais de 750 magistrados, 100 agentes da polícia e mais de uma centena de militares.

No balanço da contenda que, durante cinco horas, pôs a ferro e fogo as ruas da capital Ancara e de Istambul, a maior cidade do país, terão morrido 308 pessoas e 1500 terão ficados feridas, de acordo com o balanço do primeiro-ministro Benali Yildirim.

Dúvidas da UE são “inaceitáveis”

Na mira das autoridades turcas têm estado também os Estados Unidos e a União Europeia. Face a Washington, o presidente Recep Erdogan mantém a exigência da extradição de Fethullah Gulen, o imã aí radicado, acusado pelo poder de Ancara de ser o inspirador da tentativa de golpe.

Também as dúvidas sobre a origem e as reais motivações do movimento militar por parte do comissário europeu Johannes Hahn provocaram a ira do governo turco, que considerou as suas declarações “inaceitáveis”.


Parece que algo foi preparado. As listas estão disponíveis, e isso sugere que estavam prontas para serem usadas em qualquer momento”, assumiu Johannes Hahn, responsável pelas negociações de adesão da Turquia à União Europeia.

Em resposta, o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, acusou na rede social Twitter que o comissário “está longe de compreender o que se passa na Turquia".


A nossa primeira expetativa da parte da União europeia e dos nossos aliados é de que apoiem o processo democrático na Turquia e condenem fortemente a tentativa de golpe”, escreveu ainda ao ministro, Mevlut Cavusoglu.