Os resultados eleitorais inconclusivos na Turquia deixaram o país num impasse político. Para resolvê-lo, o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, diz agora estar disposto a entendimentos com outras forças partidárias, apesar de avisar que as coligações não têm tido finais felizes na história do país.
 

“Temos usado as eras de coligação das décadas de 1970 e 1990 como exemplo de que as coligações não servem para Turquia e continuamos a defender isso”, disse Davutoglu numa reunião com responsáveis locais do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). 


Mas sem os votos necessários para continuar no poder sozinho, o AKP não tem grandes alternativas e o primeiro-ministro admite, por isso, estar “aberto a qualquer cenário”. 

“No entanto, no cenário político atual, o único partido que pode apresentar soluções realistas é o AKP”, defendeu.


Esta visão não é partilhada por todas as formações, especialmente pelos pró-curdos do HDP, que conseguiram pela primeira vez ultrapassar a barreira dos dez por cento de votos necessários para garantir um lugar no parlamento. O partido também está aberto a todas as opções para formar uma coligação de governo na Turquia, menos aliar-se ao partido ainda no poder.

Além de terminarem sem que AKP conseguisse um resultado que lhe permitisse formar governo sozinho, as eleições fizeram também cair por terra o objetivo do partido alcançar dois terços dos lugares no parlamento, necessários para alterar a constituição e dar mais poderes ao presidente. 

Esta última meta era um desígnio do ex-primeiro-ministro e agora chefe de Estado, Recep Tayyip Erdogan, que depois de ter esgotado o limite de três mandatos à frente do governo pretendia transformar a Turquia num regime presidencialista.

Para o HDP essa é uma aspiração inaceitável e defendeu que Erdogan se deve sujeitar aos limites constitucionais, que ditam a neutralidade política do chefe de Estado. Um recado a um presidente que foi uma das presenças mais assíduas publicamente durante a campanha.

Na lista de prioridades do HDP está também o problema curdo. Selahattin Demirtas, um dos líderes partidários, defendeu que o processo de paz deve ser acelerado e que o líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, que se encontra preso, está disposto a fazer um apelo ao desarmamento.