Dois jornalistas turcos do jornal da oposição “Cumhuriyet” foram acusados por um tribunal penal de Istambul e enviados para a prisão, na quinta-feira à noite, por terem revelado entrega de armas do regime turco a grupos islamitas na Síria.

De acordo com a Reuters, o tribunal determinou a prisão do editor-chefe, Can Dündar, e do correspondente do “Cumhuriyet” em Ancara, Erdem Gül. Ambos foram acusados de "espionagem em prol de organizações terroristas" e "divulgação de segredos de Estado" por terem publicado em maio um artigo sobre as possíveis entregas de armas pela agência de inteligência da Turquia (MIT) na Síria.
 
Em maio, os dois jornalistas tinham publicado um vídeo datado de janeiro de 2014 no site do jornal. As imagens supostamente mostram um comboio de camiões do MIT a ser intercetado por polícias turcos no sul do país e a descobrirem armamento dissimulado sob caixas de medicamentos.
 
A revelação deste envio dissimulado de armamento sob caixas de medicamentos provocou um terramoto político na Turquia.
 
O Presidente islamita-conservador turco Recep Tayyip Erdogan, que tem negado firmemente qualquer apoio militar aos movimentos “jihadistas” que combatem o regime do Presidente Bashar al-Assad, apresentou pessoalmente queixa contra Dundar, de 54 anos. O chefe de Estado turco preveniu, em entrevista a um canal televisivo, que o jornalista iria "pagar um preço muito pesado".

Na semana passada, Can Dundar recebeu em Estrasburgo, França, o prémio para a liberdade de imprensa dos Repórteres sem Fronteiras (RSF) e da TV5 Monde. O RSF, uma organização de defesa de liberdade de imprensa, já denunciou em comunicado uma "perseguição política" dirigida aos dois conhecidos jornalistas turcos.