A Organização de Cooperação Islâmica (OCI) condenou esta quarta-feira a decisão dos Estados Unidos em reconhecer a cidade de Jerusalém como capital de Israel e, numa declaração final, apelou à comunidade internacional para que reconheça Jerusalém como capital da Palestina. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que abriu a conferência extraordinária da OCI, esta quarta-feira, em Istambul, acusou Israel de ser um "Estado terrorista".

Esta reunião extraordinária da OCI, que é composta por 57 países, foi organizada pelo presidente turco em resposta à declaração do presidente norte-americano, Donald Trump, que anunciou no dia 6 de dezembro o reconhecimento da cidade de Jerusalém como capital de Israel.

Numa declaração final, a OCI considerou que os Estados Unidos devem deixar de ter um papel mediador no processo de paz entre palestinianos e israelitas.

Erdogan, que foi dos primeiros a discursar, apelou à união dos líderes das nações muçulmanas para que reconheçam Jerusalém como capital do "Estado ocupado da Palestina". 

Convido todos os países que valorizem a lei e a justiça internacional para que reconheçam Jerusalém como capital do Estado ocupado da Palestina."

O líder turco frisou que a decisão de Washington é "nula e vazia" e acusou Israel de se ser um “Estado de ocupação” e “terrorista”.

Israel é um Estado de ocupação. Mais, é um Estado terrorista.”

Por sua vez, o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmoud Abbas, disse que a decisão de Trump é um "crime" que ameaça a paz global e que, a partir de agora, os palestinianos não vão aceitar a intervenção dos Estados Unidos no processo de paz com Israel. Neste sentido, Abbas apelou às Nações Unidas para terem um papel ativo neste processo.

Abbas garantiu que os palestinianos continuam a procurar uma solução de paz e a combater a violência. 

O secretário-geral da OCI, Yousef bin Ahmad Al-Othaimeen, sublinhou que a decisão norte-americana constitui um "desafio excecional" para as nações muçulmanas e que vai ser aproveitada pelos extremistas para semear o caos. 

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, também tomou a palavra neste encontro para defender que os países muçulmanos devem resolver os seus problemas a nível interno, através do diálogo, e apelou à união contra Israel.