Era uma questão de tempo e a Turquia não podia continuar a adiar uma resposta à ameaça que enfrentam as suas fronteiras no sul. O Estado Islâmico avança no terreno apesar dos bombardeamentos norte-americanos e exerce uma intensa pressão sobre as populações, que as obriga a fugir.

A Turquia já é refúgio para mais de um milhão de pessoas e nos últimos dias foram quase duzentos mil os curdos sírios que fugiram do seu país para o outro lado da fronteira.

Em resposta ao avanço dos jihadistas, o parlamento turco aprovou o envio de tropas para o Iraque e Síria para combater o Estado Islâmico. A moção, aprovada por uma maioria de três quartos, também autoriza que soldados estrangeiros estacionem no país e usem as bases locais desde que o façam para combater o movimento terrorista.

Esta ofensiva coloca vários desafios ao governo de Erdogan, desde logo porque pode vir a reforçar colateralmente as posições do PKK na região, enquanto ajuda inadvertidamente o Governo de Bashar Al-Assad na luta contra os jihadistas na Síria.

O governo turco vê aprovada esta moção numa altura em que os militantes do EI ameaçam conquistar a cidade síria de Kobani, localidade situada muito perto da fronteira da Turquia e quem tem sido fragilmente defendida por uma guerrilha curda com escasso auxílio aéreo dos americanos e dos aliados árabes.

Caso conquiste a cidade, o estado islâmico dominará de forma ininterrupta uma grande extensão de terra entre a Síria e a Turquia.