O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, já reagiu à nota dos observadores internacionais que consideraram que o referendo "não foi verdadeiramente democrático". Erdogan disse que a Turquia "não vê, não ouve e não reconhece os relatórios" em causa e acusou os países europeus de terem feito maior oposição ao referendo turco do que os próprios partidos políticos da oposição do país.

Depois da vitória do "sim" às mudanças constitucionais no referendo turco que se realizou este domingo, o Conselho da Europa e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) veio considerar que o processo não pode ser considerado como "verdadeiramente democrático", indicando que a cobertura dos meios de comunicação social foi parcial e que existiram limitações às liberdades fundamentais.

Mas, esta segunda-feira, numa declaração ao país, Erdogan mostrou-se indiferente às consideranções dos observadores internacionais, deixando um recado claro: "Ponham-se no vosso lugar", atirou, segundo a agência de notícias Reuters.

O presidente turco não se mostrou preocupado com as consequências que os resultados deste referendo terão nas negociações entre a União Europeia e Ancara sobre a integração no projeto europeu. Erdogan disse que "não é assim tão importante se a UE suspender as negociações com a Turquia" desde que os turcos sejam informados disso mesmo. De resto, acrescentou que, "se for preciso", o país poderá realizar um referendo sobre esta matéria.

Erdogan sublinhou que "todos os debates sobre as mudanças consitucionais acabaram com o referendo" realizado este fim de semana.

O presidente turco adiantou ainda que vai dar início ao proceso legal para implementar as mudanças constitucionais que vão fazer com que o atual regime parlamentar seja substituído por um regime presidencialista.

Erdogan espera que o novo sistema político esteja "completamente implementado" com as eleições de novembro de 2019.