O Presidente turco, Erdogan, prometeu este domingo eliminar “os vírus” faciosos no Estado, ao dirigir-se a uma multidão de simpatizantes depois da tentativa fracassada de golpe de Estado de sexta-feira.

“Vamos continuar a eliminar os vírus de todas as instituições do Estado. É um vírus, como um cancro, que se propaga a todo o Estado”, afirmou Erdogan numa cerimónia na mesquita de Fatih, em Istambul, em memória das vítimas dos militares rebeldes.

De microfone na mão, o Presidente turco apelou também aos seus partidários para continuarem nas ruas a manifestar o apoio ao regime.

De acordo com a BBC, este domingo na província de Denizli no sudoeste da Turquia, a polícia deteve um comandante de brigada e 50 oficiais militares e o ministro da Justiça confirmou a detenção de 6 mil pessoas, mas Bekir Bozdag, antecipa que esse número vai crescer nas próximas horas e dias. Foram detidos, até agora, quase 3.000 militares e afastados mais de 2.700 juízes.

Na tentativa falhada de golpe de Estado na Turquia, presidente Erdogan conseguiu manter a população do seu lado e uma grande parte do exército. Mas provocou mais de 290 mortos, e mais de metade eram civis. Os novos números foram avançados, este domingo, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros turco em comunicado.

“Mais de 100 conspiradores golpistas morreram. As operações continuam. Infelizmente, mais de 190 dos nossos cidadãos encontraram a morte”, lê-se numa nota, enviada aos jornalistas estrangeiros acreditados na Turquia.

O comunicado refere ainda que há mais de 1.400 feridos e que mais de 6.000 pessoas foram detidas “até agora, em operações contra o grupo terrorista”, em referência aos autores do golpe.

Erdogan diz que país vai considerar repor pena de morte

Entretanto, o Presidente turco, Recep Erdogan, afirmou que a Turquia vai considerar repor a pena de morte no país.

“Nas democracias, as decisões são baseadas naquilo que o povo diz. Eu penso que o nosso governo irá falar com a oposição e chegar a uma conclusão”, disse, reagindo ao pedido das multidões em Istambul, que reclamam a pena capital, que foi abolida na Turquia em 2004, no quadro da candidatura da adesão de Ancara à União Europeia.

“Não podemos continuar a adiar isto, porque, neste país, aqueles que lançam um atentado terão de pagar um preço por isso”, disse aos apoiantes, após participar em funerais de vítimas do golpe falhado.