O partido do Presidente islamita-conservador turco Recep Tayyip Erdogan perdeu neste domingo a maioria absoluta que detinha no parlamento há 13 anos, segundo números divulgados pelas televisões turcas.

Segundo dados divulgados, com base na contagem de 98% dos votos, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) figura em primeiro lugar mas apenas com pouco mais de 40,8% dos votos, correspondentes a 258 do total de 550 deputados do parlamento, o que o obriga a formar governo de coligação.

A formação pró-curda Partido Democrático do Povo (HDP) conseguiu alcançar mais de 10% de votos necessários para entrar na Assembleia Nacional, devendo eleger pelo menos 79 deputados, caso se mantenha com 13% dos votos de acordo com as últimas contagens.

Com este resultado minoritário no Parlamento, Erdogan não irá conseguir fazer passar uma medida política polémica que resulta num reforço dos poderes presidenciais, ou seja, em mais poder para ele próprio. Para isso, teria de ter maioria parlamentar, já que implica alterações na Constituição.

Para um dos líderes do partido pró-curdo, "o debate sobre o sistema presidencial acabou hoje", declarou Segahattin Demirtas.
 

Sem maioria, coligação?


O AKP terá de se coligar para ter maioria parlamentar e isso poderá acontecer com a terceira força mais votada, o Partido Movimento Nacionalista, que conseguiu obter 16,4% dos votos até ao momento e 82 deputados.

Nestas eleições, o partido da oposição ao partido de Erdogan, Partido Republicano do Povo,  (CHP), foi o segundo mais votado com 25% dos votos e 132 deputados já eleitos.