Milhares de apoiantes do Presidente turco, Recep Erdogan, concentraram-se, ao início da noite deste sábado, nas ruas de Istambul para confirmar que estão ao seu lado, após a tentativa de golpe de Estado pelos militares.

Erdogan deixou um apelo aos Estados Unidos para que prendam ou deportem Fethullah Gulen, o líder religioso que vive exilado nos Estados Unidos. O presidente turco acusa Gulen de ter instigado a tentativa de golpe de Estado de sexta-feira à noite, em que morreram mais de 260 pessoas. Pelo menos, 160 eram civis. Há outras consequências, como a detenção de 3.000 militares e o afastamento de mais de 2.000 juízes.

 Aliás, a Turquia deteve já este sábado um dos 17 juízes do Tribunal Constitucional do país. Alparslan Altan, um dos juízes da maior instância judicial da Turquia, foi levado sob custódia, informou a estação privada de televisão NTV, sem especificar de que crimes é acusado.

No mesmo sentido, a polícia turca prendeu dez juízes do Danistay, um dos órgãos supremos da justiça na Turquia e a autoridade máxima para contenciosos administrativos, noticiou a agência pró-governamental Anadolu.

Já este sábado, o secretário de Estado norte-americano John Kerry, disse que o pedido de extradição terá de ser analisado e que até ao momento não tinha recebido nenhuma comunicação formal nesse sentido.

Em silêncio desde 2014, o líder religioso falou este sábado. Uma rara entrevista dada na Pensilvânia, onde vive.

“Penso que o mundo não acredita nas acusações feitas pelo presidente Erdogan”, disse Gulen.

E acrescentou: “Há a possibilidade deste golpe ter sido uma encenação”.

Voltemos a Istambul. O chefe de Estado dirigiu-se à multidão, que empunhava bandeiras da Turquia. A atmosfera era bastante familiar, no bairro de Kisikli, no lado asiático da cidade, onde Erdogan tem uma casa. Istambul é o reduto do Presidente turco, que foi presidente da câmara desta cidade.

Numa demonstração de força, Recep Erdogan reitera perante o povo: “Eu sou o chefe supremo. O exército está do nosso lado”, explicando que a revolta foi levada a cabo por uma fação minoritária entre os militares. Prometendo uma “limpeza geral”, o presidente não se comprometeu com os apelos do regresso da pena de morte, abolida em 2004 e pedida para os golpistas.

Obama pede a todas as partes que respeitem o Estado de direito

O presidente norte-americano, Barack Obama, exortou todas as partes na Turquia a agirem "no respeito pelo Estado de Direito", após a tentativa de golpe de Estado de sexta-feira, informou a Casa Branca em comunicado.

"O presidente e a sua equipa lamentaram as perdas de vidas humanas e sublinharam a necessidade vital de todas as partes na Turquia agirem no respeito pelo Estado de Direito e evitarem qualquer ação que possa suscitar mais violência ou instabilidade", acrescentou o comunicado.