O marido de uma enfermeira, nos Estados Unidos, que adormeceu ao volante e morreu num acidente de viação, depois de ter feito um turno de 12 horas, está a processar o hospital por ter levado a mulher a «trabalhar até à morte».



Beth Jasper, de 38 anos, morreu a 16 de março de 2013, quando regressava a casa depois de um turno noturno no Hospital Judeu em Cincinnati, no Estado de Ohio. O marido, Jim Jasper, defende que o stresse causado por horas extra de trabalho, que derivam da falta de pessoal no hospital, levaram a um cansaço extremo da mulher, que acabou por causar o acidente que a vitimou.

De acordo com a CNN, o processo de homicídio por negligência, apresentado na semana passada contra o Grupo Mercy Health, proprietário do hospital, refere que desde 2011 até ao dia em que morreu, a unidade de Beth Jasper no hospital, tinha «regularmente falta de pessoal», e fazia com que alguns enfermeiros, incluindo Jasper, tivessem de fazer turnos adicionais.

Além disso, refere ainda o processo, Beth Jasper era habitualmente chamada a trabalhar em dias que deveriam ser de folga, por ser uma das poucas enfermeiras qualificadas para operar as máquinas de diálise da unidade hospitalar.

«Isto tem de mudar. Os enfermeiros não podem ser tratados desta forma», afirmou Jim Jasper à estação WCPO, afiliada da CNN. «Não podem continuar a obrigar estes enfermeiros a trabalhar desta forma e a desistirem de folgas só porque não querem contratar mais funcionários para o hospital», acrescentou.

Nanette Bentley, porta-voz do Grupo Mercy Health, expressou solidariedade para com a família de Beth Jasper, que era mãe de duas crianças, mas recusou fazer comentários sobre o processo judicial em causa.

De acordo com o sindicato nacional dos enfermeiros, a falta de pessoal e as horas extraordinárias que sobrecarregam os profissionais de saúde são um problema a nível nacional nos EUA, mas a instauração de processos judiciais relacionados com a falta de pessoal são pouco comuns.