Uma turista da República Checa foi encontrada nas montanhas de Routeburn, na Nova Zelândia, depois de ter estado desaparecida durante um mês. A mulher de 33 anos falou, esta sexta-feira, numa conferência de imprensa onde conta as dificuldades que atravessou, entre as quais a morte do marido, que sofreu uma aparatosa queda.

Pavlina Pižova foi encontrada na quarta-feira, depois de, esta semana, a Embaixada da República Checa na Nova Zelândia a ter dado como desaparecida. A turista apresentava ferimentos ligeiros e alguns sinais de hipotermia.

Pavlina Pižova e o marido decidiram fazer umas férias de aventura nas montanhas Routeburn, nos fiordes do sul da Nova Zelândia. Quando menos esperavam, depararam-se com um nevão intenso, que obstruiu os caminhos e fez com que se perdessem.

Depois da morte do parceiro, a mulher dormiu três noites ao relento até encontrar a cabana onde se abrigou e viveu durante um mês.

As condições eram extremas, nós deparamo-nos com quedas de neve intensas e nevoeiro que contribuiu para que anoitecesse mais cedo e não conseguíssemos chegar ao abrigo”, disse Pižova.

A turista contou também que foi nessa noite que o marido, Ondrej Petr, caiu numa levada por causa da fraca visibilidade e acabou por morrer.  Depois do sucedido, a mulher permaneceu no local por mais dois dias na esperança de que alguém a encontrasse.

Ao fim de três dias, encontrou um lugar seguro

Quando a fadiga estava a chegar ao limite e o frio a congelar-lhe as mãos e os pés, Pižova decidiu começar a caminhar para encontrar abrigo. Ao fim de 32 quilómetros encontrou uma casa abandonada, na qual permaneceu nos longos 27 dias que se seguiram.

Casa onde Pižova se abrigou

A tradutora da turista, Vladka Kennett, disse “não entender” como Pižova sobreviveu sem abrigo durante os primeiros dias. A protagonista da história contou que encheu o saco-de-cama com tudo o que tinha à disposição, para se conseguir aquecer, e massajou constantemente os pés para que a circulação de sangue não parasse.

Ela é uma mulher extremamente forte”, sublinhou Kennet, que é a cônsul honorária da República Checa na cidade de Queenstown, onde teve lugar a conferência de imprensa.

A casa que encontrou fazia parte de um albergue que se encontrava desativado, era a antiga residência do dono do estabelecimento. A turista decidiu trepar e arrombar uma janela para conseguir entrar.

No abrigo, Pižova tinha comida, lareira e gás para se manter quente. Havia, também, um rádio de montanha, mas a mulher não conseguiu pô-lo a funcionar, por ter encontrado dificuldades em perceber as instruções em inglês.

Considerando a minha saúde física, as condições meteorológicas adversas, sabendo que havia avalanches à minha frente, eu sabia que era melhor permanecer num lugar seguro”, confidenciou a vítima.

Pižova foi também questionada sobre os efeitos da recente especulação da comunicação social e comentários de peritos em segurança na montanha, que apelidavam esta história de ser “inacreditável” e “estranha”.

Em resposta, a tradutora garantiu que a turista não valoriza as observações que “deturpam” o que de facto se passou.

Em tom de conclusão, Pižova alertou outros turistas para avisarem alguém quando forem fazer montanhismo, bem como para transportarem consigo um localizador de emergência e que não subestimem os fenómenos meteorológicos da Nova Zelândia.