A popularidade de Pablo Escobar está a criar novos roteiros turísticos na Colômbia, que exploram os lugares emblemáticos da vida do barão da droga colombiano.

Traficante de droga, ladrão e homicida – estes são alguns rótulos associados a Pablo Escobar, que semeou o terror na Colômbia com sua campanha de assassinatos de agentes do Estado e a explosão de bombas em locais públicos e privados, como a redação do jornal El Espectador.

Agora, mais de 20 anos após a sua morte, o criminoso está mais famoso do que nunca. Principalmente depois de ter sido o protagonista de alguns filmes e séries televisivas. O chefe do Cartel de Medellín aparece agora nos episódios de “Narcos” e em 2012, tornou-se a estrela da série “Escobar: o Patrão do Mal”.

Esta última peça de ficção, inspirada na vida do traficante, foi exportada para vários países e está a tornar Pablo Escobar numa celebridade internacional, explicou um publicitário à BBC.
 

“O interesse dos turistas cresceu uns 200% depois da série Pablo Escobar, o Patrão do Mal.”


Para satisfazer a procura foram criados packs para os turistas que têm sido um sucesso nos últimos meses. Alguns incluem visitas ao jazigo do narcotraficante, outras à mansão de campo do criminoso. Nalgumas visitas, os turistas podem até ver os apartamentos de Pablo Escobar que foram alvo de atentados, a casa em que foi morto e o bairro onde iniciou a atividade criminosa.

De acordo com a BBC, um dos lugares mais populares para visitar é a Fazenda Nápoles, a três horas de Medellín. Quando Escobar era vivo, a propriedade tinha mais de 3 mil hectares, um heliporto, pista para aviões, um jardim zoológico particular e a maior coleção de aves em cativeiro do país.

Uma das agências de viagens responsável pelas tours, a PaisaRoad, tem mais de 100 avaliações no site TripAdviser.

Contudo, há quem considere que o fascínio por Pablo Escobar é condenável e que serve para glorificar os crimes cometidos. Alguns críticos afirmam que “o problema é que a história seja mal contada” e que os crimes que colocaram o barão de droga colombiano sete anos consecutivos na lista dos mais ricos da revista Forbes fomentem uma cultura de dinheiro fácil e ostentação.

Uma das mais polémicas foi protagonizada pela agência Despegar.com, que proporcionava a oportunidade de falar com o irmão do criminoso e de adquirir uma camisola com a frase: “Eu ‘coração’ [amo] Escobar”.

A empresa defendeu-se das críticas, como muitas outras que estão a lucrar com o traficante, afirmando que “muitos lugares do mundo também oferecem roteiros que contam o lado negro de sua história”.
 

“Penso que é uma polémica fomentada pela imprensa colombiana, porque os retornos que eu tenho até dos meus conterrâneos é positivo. Escobar faz parte da história de nosso país e é natural que atraia a curiosidade de turistas.”