O presidente executivo (CEO) da farmacêutica Turing, o homem que em setembro ficou conhecido por ter aumentado em 5.000% o preço de um medicamento usado por portadores do vírus da sida, demitiu-se do cargo, esta sexta-feira, depois de ter sido detido ontem por suspeitas de fraude.

Segundo comunicado da empresa, citado pelo Wall Street Journal (WST), Martin Shkreli será substituído por Ron Tilles, o presidente do Conselho de Administração da empresa.

Martin Shkreli foi detido pelo FBI em Manhattan (Foto: Reuters)


Shkreli foi detido ontem e está acusado de sete crimes de fraude, por alegadamente se ter apropriado de ações da empresa Retrophin, que fundou em 2011, as quais usou para pagar dívidas de outros negócios. Acabou libertado ontem após pagamento de uma caução de cinco milhões de dólares.
 
​O agora ex-CEO da Turing terá usado as ações da Retrophin - empresa que entretanto o processou - para pagar as queixas de investidores dos fundos de cobertura de risco MSMB, que este criou e levaram estes investidores a perder milhões de dólares. O FBI acusa Shkreli de ter ocultado informações relativamente aos fundos "hedge" (fundos de investimento de alto-risco). 

Ainda de acordo com o WSJ,as autoridades estão também a investigar a aquisição em novembro de 70% do capital da farmacêutica KaloBios, da qual se autointitulou CEO. Inicialmente as ações da empresa dispararam 400%, mas estão agora suspensas depois de terem caído 53%.

Martin Shkrelli  foi altamente criticado, especialmente nos EUA, quando em setembro decidiu subir o preço o medicamento Daraprim, o único aprovado nos EUA para tratar a Taxoplasmose - uma doença parasitária perigosa para pacientes com o sistema imunitário debilitado, como é o caso dos portadores do VIH, o vírus da sida. A empresa Turing aumentou o preço de 13,5 dólares (12,4 euros) por dose para 750 (691), com Shkrelli a alegar que o dinheiro serviria para financiar novos tratamentos.

No entanto, Shkreli garantiu entretanto que o preço seria cobrado às seguradoras, e que ninguém ficaria sem acesso ao medicamento se não pudesse pagar.