Uma equipa de arqueólogos no Egito desvendou aquilo que parecia ser apenas uma "massa esbranquiçada solidificada" descoberta num túmulo. Trata-se de uma amostra de queijo com três mil e duzentos anos, o mais antigo do mundo.

A substância foi encontrada numa jarra da coleção de potes do túmulo que pertencia a Ptahmes, que tinha um alto cargo na antiga cidade de Memphis no século XIII antes de Cristo.

Quando encontraram a matéria, os cientistas desconfiaram que poderia ser comida, mas não sabiam ao certo do que se tratava. Um estudo, publicado na revista Analytical Chemistry, provou que se trata de um queijo, composto essencialmente de leite de ovelha e cabra.

Esta é uma descoberta significativa, visto que não tinha sido encontrado algum queijo no Antigo Egito até ao momento. Pode ainda representar o mais antigo queijo do mundo.

O material analisado é provavelmente o mais antigo resíduo arqueológico sólido de queijo alguma vez encontrado até hoje", explica Enrico Greco, da Universidade de Catania, que trabalhou com colegas da Universidade do Cairo na identificação da substância.

Outra descoberta relevante para a ciência veio a verificar-se nas análises ao resíduo. Os cientistas encontraram vestígios de uma bactéria responsável por uma doença infecciosa conhecida como brucelose. É uma patologia com origem no consumo de produtos lácteos não pasteurizados.

A confirmar-se que se trata deste organismo, será a evidência mais antiga da doença que ainda hoje existe.

O túmulo da necrópole de Saqqara, perto do Cairo, foi descoberto pela primeira vez em 1885, tendo acabado por perder-se nas areias movediças até ser redescoberto, em 2010.