O WikiLeaks está a oferecer uma recompensa de 100 mil euros a quem lhe entregar “o segredo mais desejado da Europa”: o Tratado Transatlântico sobre o Comércio e o Investimento, entre os Estados Unidos e a União Europeia, que continua a ser negociado entre a administração de Barack Obama e as instituições do Velho Continente.

A plataforma de análise de documentos, liderada por Julien Assange, está a reunir esse dinheiro através de uma campanha de crowdfunding que conta com as contribuições de várias personalidades europeias, como é o caso do ex-ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, que incentivou outros contributos e defendeu a divulgação do documento, em nome da transparência.
 
Para além de Varoufakis, participam também o designer britânico e ativista ambiental Vivienne Westwood, o jornalista norte-americano Glenn Greenwald, o cineasta veterano e jornalista de investigação John Pilger, o ex-analista das Forças Armadas dos EUA e responsável pela filtragem de documentos do Pentágono Daniel Ellsberg, bem como, claro, o próprio Julian Assange.

O Wikileaks lança este desafio, argumentando que desde que os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) começaram a enfrentar os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), os políticos norte-americanos lançaram uma "enxurrada de acordos comerciais internacionais”, que só vieram afetar radicalmente as economias dos países e limitar o crescimento dos BRICS.

Há até um vídeo de 11 minutos na conta do YouTube "TheWikiLeaksChannel" a explicar tudo o que está em causa.




Assange entende mesmo que o segredo em torno do TTIP (sigla em inglês) "lança uma sombra sobre o futuro da democracia europeia", porque há interesses encobertos, de que é exemplo o recente "bloqueio económico contra o povo da Grécia."

“O TTIP afeta a vida dos cidadãos europeus e coloca a Europa num conflito de longo prazo com a Ásia. É tempo de acabar com este secretismo”.


O acordo em causa, que visa então eliminar barreiras alfandegárias e regulamentares entre os Estados Unidos e a União Europeia, está a ser negociado já desde 2013 entre as duas partes.

O FMI teme que o futuro acordo leve a «uma fragmentação» do comércio mundial e para evitar esse resultado, defende que EUA e União Europeia devem procurar «minimizar a discriminação» dos países que não são signatários e evitar «a impressão de que o comércio está a progredir para um ‘clube’ de países privilegiados». 

Ao que tudo indica estará concluído e será anunciado já perto de novembro de 2016. O Wikileaks quer tê-lo em mãos antes.