O escritor norte-americano Glenn Kurtz tornou-se, por acaso, personagem principal do último livro. Decidiu imitar a protagonistas do romance que estava a preparar e descobriu factos históricos sobre o Holocausto num vídeo da família. 



Glenn Kurtz escreve, no mais recente livro, que a história é construída por fragmentos, guardados ao acaso, e que se ligam entre si. Foi juntando pedaços que o músico e escritor criou «Three minutes in Poland» («Três minutos na Polónia»).

O livro conta a história de como ele próprio, ao pesquisar para o romance que estava a escrever, se tornou uma personagem que criou.

De acordo com o jornal «O Globo», Kurtz escrevia sobre uma rapariga de Viena que encontrava, num mercado, um filme antigo e ao visualizá-lo quis saber mais sobre as personagens. O autor sentiu-se motivado a fazer o mesmo e, na casa dos pais, entre filmes velhos, interessou-se especialmente por um.

As imagens remontavam a 1938, antes da Segunda Guerra Mundial, quando os avós de Kurtz viajaram de férias para a Europa. Nas imagens estavam detalhes do quotidiano da comunidade judaica de Nasielsk, na Polónia, constituída por 3 mil judeus. Depois das invasões, restaram menos de 100.

«Soube que tinha uma importância histórica. Foi nesse momento que a história que estava a escrever se tornou a história da minha vida»

 

«Parado na minha sala, assistia novamente ao filme e percebi que os três minutos de imagens do meu avô poderiam ser as únicas imagens em movimento na existência da cidade e dos seus habitantes antes da destruição»


O filme foi doado, por Glenn Kurtz, para arquivo ao Museu do Holocausto que restaurou, digitalizou e publicou as imagens no site. Maurice Chandler, que no filme tinha 13 anos, foi identificado pela neta que também reconheceu outras pessoas.

Seguiu-se um encontro entre famílias – o autor reuniu a família com a de Maurice – e outras pessoas foram identificadas e entrevistadas para o livro.

O extermínio de judeus na Segunda Guerra Mundial permitiu que o filme de férias dos avós de Kurtz originasse um documentário. Para o músico e professor, o «saber é que dá às imagens tanto poder».

De acordo com autor, uma cidade inteira foi destruída e aqueles poucos minutos de filme sobreviveram. Os detalhes incutiram-lhe a responsabilidade de tentar entendê-los, mas para Kurtz foi mais que isso «porque os nazis quiseram apagar todas as memórias e todos os rastros de suas existências».