Travis Tolliver sempre soube que era adotado. Sempre foram evidentes as diferenças físicas entre ele e os pais, mas era algo que já tinha aceitado há muito tempo. O que não estava à espera de descobrir aos 40 anos é que havia sido raptado de um hospital do Chile, com apenas três dias, e dado como morto à sua família biológica.

A história deste norte-americano, contada pelo canal CNN, é uma de muitas encobertas ao longo dos anos e que chocaram o Chile. Durante os anos 60,70 e 80, médicos, enfermeiros, padres e freiras um pouco por todo o país raptavam recém-nascidos dos hospitais e, muitas vezes a troco de dinheiro, davam as crianças para adoção.

A mãe biológica de Travis, por exemplo, foi levada a crer que o seu filho tinha morrido de uma infeção respiratória três dias após o nascimento. Mas a verdade é que o bebé foi entregue para adoção, e acabaria por ser levado para os EUA por uma família, que não sabia de nada, e o criou em Tacoma, Washington.

Passaram mais de quatro décadas até que Travis, inspirado por uma reportagem da CNN, decide procurar as suas origens: contactou uma página de Facebook dedicada a encontrar famílias biológicas de crianças adotadas no Chile, e três a quatro semanas depois, através de dados genéticos, a mãe de Travis foi encontrada.

O homem, que hoje também é pai de dois filhos, estabeleceu contacto e ficou determinado a conhecer a sua família. Criou uma campanha no “gofundme”, uma página dedicada a doações, e conseguiu o suficiente para viajar para o Chile.

À chegada ao aeroporto de Santiago, Travis finalmente conheceu a sua mãe biológica, Nelly Reyes, hoje com 61 anos, já avó. E apesar de não falarem sequer a mesma língua ambos não esconderam a emoção do reencontro e abraçaram-se logo assim que se viram.

“Não sei descrever como me sinto. É de doidos. Nunca pensei que isto pudesse acontecer”, disse Travis à CNN.


Nelly Reyes não abraçava o seu filho desde 15 de novembro de 1973, e também não escondeu a satisfação de o ter de volta.

 “Vou abraçá-lo todos os dias. Amo-o tanto”, disse.

Travis está agora empenhado em saber o que realmente lhe aconteceu. Desconfia que por a sua mãe ter apenas 19 anos na altura, e ser solteira, tenha facilitado o crime. Porém, por enquanto, o facto de saber que não foi abandonado como sempre achou traz-lhe uma felicidade inexplicável.

“Não fui abandonado como achei todos estes anos, isso faz-me sentir maravilhoso (…) Tudo isto parece surreal”.


A família adotiva, Travis também não vai abandonar. Apesar de tudo, a mãe adotiva, que o criou e o transformou no homem que é hoje, será sempre a sua verdadeira mãe.

“Ela vai ser sempre a minha mãe”, confessou. “Agora tenho duas. Ela criou-me, sou o que sou graças ao que ela fez por mim. Ela vai sempre ter um lugar no meu coração e não vou substituí-la”.

Além da mãe biológica Travis tem também quatro novos irmãos e uma irmã, que agora estão dedicados a mostrar-lhe o país. 

Na sua última atualização no "gofundme", Travis diz que agora só quer arranjar forma de levar a sua família para o Chile, para que possam conhecer o país e a sua nova família.