Os olhos da União Europeia continuam postos na Irlanda. 26 países, entre os quais Portugal, esperam ansiosamente pelo desfecho do referendo irlandês ao Tratado de Lisboa. Embora os resultados finais só sejam apresentados esta tarde, a cadeia de televisão irlandesa RTE anuncia que as primeiras indicações matinais, baseadas nas contagens parciais de alguns círculos eleitorais, dão um ligeiro avanço ao «não».

A elevada abstenção conhecida esta quinta-feira (votaram menos de 45 por cento dos eleitores) foi um primeiro indicador da possível vitória do «não». No entanto, a mesma fonte refere que as últimas sondagens demonstram que os apoiantes do «sim» se mobilizaram mais para votar, o que poderá significar uma reviravolta nos resultados. Caso haja uma diferença inferior a dez mil votos entre as duas opções, haverá recontagem de votos.

A cadeia irlandesa apresenta ainda alguns dados: no condado de Donegal, província de Ulster, foram abertas dez por cento das urnas e, para já, todas pendem para o «não». Segundo fontes políticas, estes resultados podem ser semelhantes nos condados de Tipperary e Wicklow. Também o jornal Irish Times anuncia que as primeiras tendências indicam valores de 60 por cento para o «não».

«Não» rural, «sim» urbano

«Segundo o que percebi, [a situação] não parece estar muito boa» para o «sim», afirmou à AFP o ministro irlandês dos Assuntos Europeus, Dick Roche. Segundo o ministro, o «não» terá tido maior apoio nas zonas urbanas operárias e rurais, enquanto o «sim» terá convencido a classe média urbana.

Para o Tratado de Lisboa entrar em vigor a partir do dia 1 de Janeiro de 2009 é necessário que seja aprovado nos 27 países da União Europeia. A generalidade dos governos optou pela ratificação parlamentar, tentando evitar um cenário semelhante ao que aconteceu em 2005, quando a França e a Holanda disseram «não» à Constituição Europeia. Só que a Irlanda é constitucionalmente obrigada a ir a referendo nesta situação e daí o processo estar dependente da resposta dos irlandeses.

Até agora, 14 países já completaram a ratificação. Num universo de cerca de 490 milhões de pessoas, o futuro da União Europeia vê-se dependente dos três milhões de eleitores irlandeses.