O Líbano está transformado num verdadeiro «mercado negro» da compra e venda de órgãos humanos. No país, pobre e palco de várias guerras nas últimas décadas, vender um rim é como sair a sorte grande.

Um jornalista do «Der Spiegel» alemão entrou neste submundo e falou com intermediários e «vendedores» de órgãos.

Rins, pulmões, fígados. Estes órgãos vitais podem encontrar-se no Líbano. Nas leis economicistas da oferta e da procura, a margem de venda de um rim pode chegar aos milhares de dólares. Quem vende pode receber entre seis e sete mil dólares, ou seja, cerca de cinco mil euros. Uma fortuna para todos aqueles que vivem em campos de refugiados. Há quem o faça com apenas 14 anos.

Mas, é preciso que depois fiquem eles também com saúde para gozar destas pequenas fortunas. O repórter do jornal alemão também assistiu ao reverso da medalha: o caso de quem não consegue controlar a dor depois de perder um rim e implora por medicamentos. O homem que sofre com dores tem 19 anos. O intermediário apenas lhe responde: «Cala-te. É-me indiferente que morras. Estás acabado de qualquer maneira», como cita o «El Mundo».

O negócio lá vai prosperando no Líbano, muito graças ao país não ter legislação sobre o transplante de órgãos.