A comissão dos assuntos de saúde do Parlamento da Dinamarca decidiu, nesta terça-feira, por unanimidade, retirar a transexualidade da lista de doenças mentais divulgada pela Direção-geral de Saúde daquele país.

A decisão, citada pela imprensa dinamarquesa, está a ser recebida com satisfação pelas organizações de defesa dos direitos humanos, ainda que só entre em vigor para o próximo ano.

Os transexuais na Dinamarca sentem como um estigma o facto de estarem ligados a um diagnóstico de doença mental dentro dos distúrbios de comportamento”, declarou o porta-voz para os assuntos de saúde do Partido Social-democrata dinamarquês, Flemming Møller Mortensen.

Se a medida avançar, a Dinamarca poderá ser o primeiro país do mundo a desvincular a transexualidade do diagnóstico de perturbações mentais. Segundo explicou Mortensen à agência Ritzau "a Organização Mundial de Saúde [OMS] está a trabalhar num novo sistema de diagnóstico há muito, muito tempo".

Nós não vamos esperar mais, se o sistema da OMS não mudar, a Dinamarca fá-lo-á sozinha”, garantiu Mortensen sobre a medida anunciada.

A Amnistia Internacional (AI) aplaudiu a medida e Trine Christensen, secretária-geral da AI na Dinamarca, considerou-a “um grande passo, não apenas para as pessoas ‘trans’ na Dinamarca, mas para as de todo o mundo”.

Isto faz com que a Dinamarca seja um país pioneiro dos direitos dos transexuais”, acrescentou.

A medida que irá retirar a transexualidade da lista de doenças mentais vai entrar em vigor a 1 de janeiro de 2017.