A prioridade da União Europeia (UE) no Mediterrâneo é salvar vidas, por isso “declarou guerra” aos traficantes de seres humanos e não aos países de onde partem os migrantes, afirmou esta quinta-feira em Lisboa o comissário para as Migrações.

“A nossa política não é de carácter securitário ou militar. O aspeto humanitário é a prioridade. Salvar vidas e criar formas legais para aqueles (imigrantes) de que precisamos na Europa”, sublinhou Dimitris Avramopoulos, comissário europeu para as Migrações, numa audição conjunta no parlamento das comissões dos Assuntos Europeus e dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

“Uma estimativa dos últimos dias diz-nos que nas costas da Líbia pode estar agora mais de um milhão de pessoas desesperadas à espera para atravessar o Mediterrâneo. São vítimas dos traficantes”, disse o comissário.

Avramopoulos respondia a questões levantadas pelos deputados José Magalhães, do Partido Socialista, e José Soeiro, do Bloco de Esquerda, sobre o mandato e os contornos da operação naval que a UE pretende criar para combater o tráfico de seres humanos no Mediterrâneo e que compreende, por exemplo, a destruição das embarcações utilizadas pelos traficantes.

Frisando que a UE obteve o apoio de todos os países terceiros para a operação em causa exceto a Líbia – “um Estado falhado e, por isso, um corredor aberto para todos estes fluxos migratórios da África subsaariana” -, Avramopoulos sublinhou que o mandato pedido à ONU não contempla o envio de quaisquer tropas.

“Assumidamente o que tínhamos em mente não era enviar tropas, não podemos fazer isso. A Líbia, um dia, encontrará o seu caminho para a democracia, a paz e a estabilidade. Ninguém ia violar um Estado soberano”, frisou.

“Mas sabemos onde eles (os traficantes) estão. Temos de arranjar forma de desmantelar e reprimir as suas redes”, acrescentou, depois de afirmar: “Sim, declarámos guerra” aos traficantes.

Avramopoulos assegurou, por outro lado, que após o anúncio da nova política de imigração, “as coisas começaram a mudar”, fruto da cooperação com países terceiros, e exemplificou com a intercetação, ao largo da Turquia, de duas embarcações com milhares de pessoas cujos responsáveis se preparavam para abandonar em alto mar, na linha de delimitação entre águas territoriais. “Não chegaram a partir”, disse.

O comissário referiu ainda a necessidade de adotar regras para alargar a imigração legal para a Europa, em resposta aos problemas demográficos do continente e ao “direito destas pessoas de procurar uma vida melhor na Europa”.

“A Europa não é um território hostil para os imigrantes, é um território composto por nações que no passado, pela emigração, criaram outras grandes nações: A Austrália, o Canadá, os Estados Unidos. A migração está no nosso ADN”, como reporta a Lusa.