Um jornalista infiltrou-se, como funcionário, num armazém da Amazon, no Reino Unido, e o trabalho é agora divulgado pela BBC. Um especialista, ouvido pelo canal de televisão, considera que o risco de doenças mentais e físicas é muito elevado.

Um dos maiores especialistas britânicos em stress do trabalho, Michael Marmot visualizou imagens de turnos da noite no armazém durante o qual os trabalhadores percorrem mais de 17,7 km diários. Além disso, é ainda esperado que recolham uma encomenda a cada 33 segundos. Michael Marmot não tem dúvidas: «Estas condições são propícias a doenças físicas e ementais».

Todos os anos, no Natal, alegando que a segurança dos funcionários é uma prioridade, a empresa contratada mais 15 mil trabalhadores devido ao incremento de encomendas. No entanto, isso parece não chegar.

Adam Littler, um jornalista de 23 anos, candidatou-se a um emprego no armazém da Amazon em Swansea. Consigo levou uma câmara oculta e filmou o que acontecia durante o seu turno. Foi contratado para recolher encomendas num espaço com 800 mil metros quadrados.

Adam tinha de recolher as encomendas e coloca-las no seu carrinho. Havia um tempo marcado para cada recolha e sempre que havia um engano, o seu scanner apitava. «Éramos máquinas, robots, ligávamos o scanner e era como se o ligássemos a nós», conta o jornalista. «Não pensávamos por nós. Talvez achem que não somos capazes de pensar, não sei», recorda.

O especialista em stress de trabalho, Michael Marmot lembra que vão sempre haver trabalhos mecânicos, como os referidos na peça, «mas é possível minimizar os efeitos que este podem ter sobre os trabalhadores».

A Amazon defende-se e garante que os inspetores de segurança no trabalho nunca levantaram questões e que peritos independentes consideraram que aquele tipo de funções idênticas a outras, realizadas noutras indústrias, e que não são um risco para a saúde mental ou física.

Os resultados do scanner são enviados para as chefias e no caso de Adam Littler, os seus níveis de produtividade foram considerados «baixos». Este terá sido alertado para a possibilidade de uma sanção disciplinar. Sobre a produtividade, a Amazon garante que os níveis exigidos foram estabelecidos por outros trabalhadores.

Outra das questões está relacionada com as durações dos turnos que, em algumas noites, eram de 10h e 30 minutos.