Uma organização de direitos humanos veio a público denunciar, esta quarta-feira, que há milhares de crianças a trabalhar ilegalmente em minas, nas Filipinas. A Human Rights Watch afirmou que o facto é do conhecimento do governo que, apesar de ter promulgado a legislação que proíbe o trabalho infantil, pouco faz para reverter a situação.

Milhares de crianças, algumas com apenas nove anos, trabalham em condições perigosas e sob risco de morte todos os dias, diz o relatório da organização. Muitas vezes, as crianças trabalham em poços com 25 metros de profundidade ou têm de passar longos períodos debaixo de água.

Algumas das tarefas que desempenham incluem processar ouro com mercúrio, um metal perigoso prejudicial à saúde, mergulhar repetidamente dez metros, durante várias horas, para tentar encontrar pedras preciosas debaixo de água.

“As crianças filipinas estão a trabalhar em condições absolutamente assustadoras em minas de pequena dimensão”, afirmou Juliane Kippenberg, responsável pelo relatório. “O governo filipino proíbe trabalho infantil perigoso, mas tem feito muito pouco para fazer cumprir a lei”.


Segundo a Associated Press, o grupo de ativistas entrevistou 135 pessoas, incluindo 65 menores que trabalhavam como mineiros. Todos tinham menos de 17 anos de idade. Muitos dos relatos dão conta das experiências assustadoras pelas quais tiveram de passar no trabalho.

“Às vezes parece que os tímpanos vão explodir lá em baixo”, contou Dennis à associação, que tinha apenas 13 anos quando mergulhou em busca de ouro pela primeira vez. “Eu fico debaixo de água por um ou duas horas. Uma vez, o meu responsável avisou-me que algo estava mal com o meu compressor, por isso tive de subir imediatamente.

“Às vezes a máquina verte e eu cheiro os fumos. Por vezes fico maldisposto porque é petróleo”.


A Ministra do Trabalho, Rosalinda Baldoz, afirmou que o governo está a tratar do problema e que vai tomar ações legais contra os empregadores.

Existem cerca de 30 minas deste género em 81 províncias das Filipinas que empregam entre 200.000 e 300.000 trabalhadores. Os mineiros que trabalham nestes locais veem-se muitas vezes sob risco de afogamento, doença por descompressão e infeções cutâneas.