O trabalho infantil mundial diminuiu um terço desde 2000, mas existem ainda atualmente 168 milhões de crianças em todo o mundo que trabalham, o que corresponde a 11 por cento da totalidade da população infantil.

É esta a principal conclusão do relatório hoje divulgado «Medir o progresso na Luta contra o Trabalho Infantil: Estimativas e tendências mundiais 2000-2012», da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que será apresentado na III Conferência Global sobre o Trabalho Infantil, a realizar em Brasília em outubro próximo.

Apesar de «as mais recentes estimativas mostrarem o real avanço verificado na luta contra o trabalho infantil, de modo particular, nos últimos quatro anos», o relatório indica que «o progresso é ainda demasiado lento e o seu ritmo deve ser acelerado», sob pena de não se conseguir atingir o objetivo de eliminar as piores formas de trabalho infantil até 2016, um objetivo acordado pela comunidade internacional, através da OIT.

Dos 168 milhões de crianças que atualmente trabalham em todo o mundo, mais de metade - 85 milhões - «executa trabalhos perigosos que colocam diretamente em risco a sua saúde, a sua segurança e o seu desenvolvimento moral», aponta o relatório.

Segundo o documento, «o maior número de crianças trabalhadoras encontra-se na região Ásia-Pacífico, mas a África Subsariana continua a ser a região com a mais elevada incidência de trabalho infantil, com mais de uma em cada cinco crianças envolvida nesta prática».

Por outro lado, o relatório destaca que, no final do período de 12 anos entre 2000 e 2012, ¿existiam cerca de 78 milhões de crianças trabalhadoras a menos que no início do período: uma redução de cerca de um terço¿, sendo que a redução do número de meninas foi mais acentuada (40 por cento) do que o número de meninos (25 por cento).

A OIT salienta igualmente que «o número total de crianças envolvidas em trabalho perigoso, que representa, de longe, a maior parte das crianças ativas nas piores formas de trabalho infantil, sofreu uma redução de mais de metade».

O relatório refere que «o progresso foi também relevante entre as crianças mais jovens, com o trabalho infantil neste grupo a mostrar uma redução superior a um terço, entre 2000 e 2012».

Outro aspeto destacado pela OIT é que a redução do trabalho infantil foi maior durante o período mais recente (2008-2012) e que, nesse período, a maior redução em termos absolutos ocorreu na região da Ásia-Pacífico.

Pela primeira vez neste relatório, as estimativas mundiais sobre o trabalho infantil são apresentadas para os diversos níveis de rendimentos nacionais, sendo «a incidência do trabalho infantil, sem surpresas, mais elevada nos países mais pobres».

Contudo, «quando a situação é observada em termos absolutos, os países com nível de rendimentos médio são também os que acolhem os maiores números de crianças trabalhadoras», frisa o relatório.

Quanto aos setores da economia onde se encontram as crianças trabalhadoras, a agricultura é o mais importante, «mas os números de crianças envolvidas em trabalho infantil nos setores dos serviços e da indústria não devem ser desprezados e apresentam valores crescentes em termos relativos», conclui o documento que a Lusa cita.