ACTUALIZADA ÀS 17H41

O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu, esta quarta-feira, um mandado de captura contra o Presidente do Sudão. Omar Hassan al-Bashir é acusado de crimes de guerra e contra a humanidade na região do Darfur. O chefe de Estado sudanês já disse que vai ignorar a decisão e diz-se vítima de um «plano neocolonialista», noticiam as agências internacionais.

A estação de televisão norte-americana CNN refere que é a primeira vez que o TPI acusa um Presidente em exercício. Al-Bashir é acusado de uma política de assassínios, extermínio, violações, pilhagens, torturas e transferência forçada de populações. Todos estes crimes terão sido cometidos contra as etnias do Darfur, a região ocidental do Sudão onde, desde 2003, já foram mortas 300 mil pessoas.

De fora da acusação ficou o crime de genocídio. Os juízes de Haia dizem que não há provas suficientes contra al-Bashir, mas a qualquer momento elas podem ser anexadas ao processo.

Manifestações de apoio em Cartum

Em Cartum, centenas de pessoas saíram à rua para apoiar o Presidente. Para quinta-feira está já marcada a «marcha do milhão» contra o mandado emitido em Haia.

A APTN refere que as movimentações na capital sudanesa começaram esta quarta-feira logo ao princípio do dia. Organizados pelo governo, os protestos contra o esperado anúncio tiveram como alvo o TPI e o Ocidente.

Terça-feira, o chefe de Estado sudanês já se tinha manifestado contra o TPI. Perante milhares de apoiantes, al-Bashir mandou os juízes de Haia «engolir» o mandado de prisão, que só esta quarta-feira acabou por ser emitido.

Ódio ao Ocidente

O regime de Cartum acusa o Ocidente de conspirar contra o Sudão. A aversão ao Ocidente ficou bem patente com o incendiar de um boneco representando o Presidente dos EUA, Barack Obama.

Em Haia, na Holanda, e noutras cidades da Europa como Londres e Bruxelas, têm-se repetido manifestações a pedir o julgamento de al-Bashir.

Sudão recusa entregar Presidente

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, já pediu que Cartum coopere com as Nações Unidas, mas as autoridades do Sudão estão decididas a ignorar o mandado, até porque não reconhecem o TPI.

O ministro sudanês da Justiça, Abdel Basit Sabdarat, anunciou que o país não entregará o Presidente. Sabdarat insistiu em que o Sudão não dialogará com o TPI, nem reconhecerá a ordem, porque este tribunal «não tem competência nem poderes no Sudão» e assegurou que «Bashir continuará os seus trabalhos de forma habitual».

Na mesma linha, o ministro sudanês dos Negócios Estrangeiros sudanês, Ali Karti, anunciou no Egipto que o al-Bashir participará, no final de Março, na cimeira árabe de Doha, apesar da ordem de detenção emitida pelo TPI.

Em entrevista na sede da Liga Árabe no Cairo, Karti destacou que «o Presidente sudanês continuará com as suas funções oficiais de forma normal, como se nada tivesse acontecido, e, por isso, participará na próxima cimeira árabe de Doha», entre os dias 30 e 31 de Março.