
Uma centena de pessoas manifestou-se, este domingo, em Barcelos contra a realização de uma tourada naquela cidade e criticou os bombeiros locais por se associarem a um «evento de morte».
«Não faz sentido nenhum uma instituição que tem por lema ¿vida por vida' associar-se a um evento de morte, a uma tortura de animais. É como se uma marca de tabaco oferecesse um euro para a Liga contra o Cancro por cada maço vendido», afirmou Vasco Santos.
Para este ativista dos direitos dos animais, é «completamente contraditório» que os bombeiros tenham aceitado associar o seu nome à tourada.
«Estão aqui a apoiar a morte de seis touros e a seguir vão ajudar a tirar um gato do telhado ou a resgatar um cão de um poço», ironizou.
Os manifestantes concentraram-se no centro da cidade e depois rumaram até ao local da tourada, que decorre numa arena amovível, entoando palavras de ordem como «tourada em Portugal é vergonha nacional» e «tortura não é cultura».
Adriana Torres, 20 anos, envergava um casaco com «Não à tourada» estampado nas costas e confessava-se envergonhada por a sua cidade ser palco de um «espetáculo degradante, de tortura de animais». «Barcelos não tem qualquer tradição de touradas e é triste que hoje entre no mapa noticioso pelos piores motivos», criticou.
A tourada reverte em parte a favor dos Bombeiros Voluntários de Barcelos, cujo comandante, José Quinta, disse «aceitar com educação» a manifestação, mas lamentou as «palavras menos agradáveis» dirigidas à corporação.
«Não concordamos muito que ataquem com palavras menos agradáveis pessoas que trabalham dia a dia com o lema ¿vida por vida'», confessando que lhe custa «ver pessoas que não fazem nada na vida, que vivem à custa dos outros, a chatear os que trabalham por eles».
José Quintas acrescentou que a corporação aceitou associar-se a esta tourada porque os corpos de bombeiros estão a passar «por muitas dificuldades» e «toda a ajuda é preciosa». A arena tem cerca de 2.500 lugares, variando os bilhetes entre 15 e 20 euros, consoante sejam lugares ao sol ou à sombra. Segundo José Quintas, 20 por cento da receita total reverte a favor dos bombeiros.