O congressista Devin Nunes, próximo presidente do Comité dos Serviços de Informação da Câmara dos Representantes, acredita que a divulgação, esta terça-feira, de um relatório sobre as técnicas de interrogatório usadas pela CIA coloca vidas americanas em risco.

«A divulgação deste relatório vai prejudicar a segurança nacional dos Estados Unidos e colocar vidas norte-americanas em risco», garantiu o luso-americano Devin Nunes à agência Lusa.

O republicano sublinhou ainda que partilha «esta preocupação com o [atual] presidente do Comité de Serviços Informação da Câmara dos Representantes, o congressista Rogers, o vice-presidente do Comité de Serviços de Informação do Senado, o senador Chambliss, e o futuro presidente do Comité de Serviços de Informação do Senado, o senador Burr», marcando assim a diferença com a comissão que elaborou o relatório, presidida pela democrata Dianne Feinstein.

Segundo este relatório do Senado, as técnicas de interrogatório usadas pela CIA a suspeitos de terrorismo após os atentados de 11 de setembro de 2001 foram «ineficazes» e mais brutais do que alguma vez admitiu aquela agência norte-americana de serviços secretos externos.

Algumas destas conclusões seriam já conhecimento de membros do congresso norte-americano, incluindo Devin Nunes, que há quatro anos integra o Comité de Serviços Informação da Câmara dos Representantes.

O documento divulgado é uma versão editada de um meticuloso relatório de inquérito parlamentar que denuncia a detenção secreta de uma centena de homens suspeitos de terem ligações com a rede terrorista Al-Qaeda, no âmbito de um programa secreto autorizado pela administração do então Presidente republicano George W. Bush.

«Em nenhum momento, as técnicas de interrogatório reforçadas da CIA permitiram recolher informações relativas a ameaças iminentes, tais como informações relativas a hipotéticos ataques bombistas, que muitos consideraram que justificavam tais técnicas», afirmou ainda a senadora Feinstein durante a apresentação do resumo desclassificado de 525 páginas do relatório.

O relatório acusou também a CIA de ter mentido, não só ao público em geral, mas também ao Congresso norte-americano e à Casa Branca, sobre a eficácia do programa, nomeadamente ao afirmar que estas técnicas podiam permitir "salvar vidas".

Quanto às técnicas utilizadas, o documento sublinhou que «eram brutais e bem piores do que a CIA havia descrito aos representantes» do Congresso.

Em 20 conclusões implacáveis para a CIA, o resumo do relatório da Comissão sobre Serviços de Informação do Senado norte-americano (atualmente controlado pelos democratas) acusou ainda a agência norte-americana de serviços secretos externos de ter submetido 39 detidos a métodos considerados como brutais durante vários anos, alguns dos quais não autorizados pelo executivo norte-americano.

«A CIA usou estas técnicas de interrogatório várias vezes durante dias e durante semanas», descreveu o relatório.

Os detidos foram atirados contra paredes, despidos, colocados em água gelada e impedidos de dormir durante períodos até 180 horas.

De acordo com o documento, o detido Abu Zubeida, um alegado membro da Al-Qaeda detido em finais de março de 2002 no Paquistão, após ter sido submetido a simulações de afogamento de forma repetida, «tinha espuma a sair da boca» e estava quase inconsciente.

No total, 119 suspeitos foram capturados e detidos ao abrigo deste programa secreto da CIA, em locais noutros países apelidados como «negros». Uma dessas prisões secretas é qualificada como «masmorra».

Os líderes republicanos no Senado denunciaram imediatamente este relatório, afirmando tratar-se de um documento partidário que está «a reescrever acontecimentos históricos».