As autoridades britânicas identificaram, até ao momento, seis vítimas do incêndio que destruiu a Torre Grenfell, na quarta-feira, em Londres. Os nomes não foram divulgados, mas o jornal The Telegraph avança que a primeira vítima é um refugiado sírio, de 23 anos, que foi para o Reino Unido para fugir da sangrenta guerra civil. O último balanço oficial dá conta de 17 mortos, mas há dezenas de pessoas desaparecidas, incluindo famílias inteiras.

Numa conferência de imprensa realizada esta quinta-feira, o comandante da polícia londrina, Stuart Cundy, informou que, até agora, foram identificadas seis vítimas do incêndio, sem revelar mais pormenores sobre as suas identidades.

O responsável admitiu que as operações de buscas na torre, que tem 24 andares, podem durar meses e que, devido à dimensão dos estragos, muitas vítimas poderão nunca ser identificadas. 

Um dia após o fogo que consumiu o prédio residencial, no centro de Londres, ainda há dezenas de pessoas que continuam desaparecidas, incuindo famílias inteiras. As equipas de socorro acreditam que possam estar muitas pessoas dentro do edifício, embora não haja esperança de encontrar sobreviventes.

Questionado sobre o número de mortos e a possibilidade de este ultrapassar uma centena, o comandante da polícia sublinhou que espera que isso não se verifique, mas que não pode adiantar estimativas.

"Espero que não se chegue aos três dígitos", vincou Stuart Cundy.

A primeira vítima identificada do incêndio será um refugiado sírio, de 23 anos, chamado Mohammad al-Haj Ali, segundo avança o jornal The Telegraph.

Os amigos contaram ao mesmo jornal que o jovem, natural de Daraa, no sul da Síria, fugiu da guerra civil para ter "uma vida melhor". Era agora estudante de engenharia civil na Universidade de West London e vivia na Torre Grenfell, no 14.º andar, com o irmão, Omar.

No dia em que o "inferno" chegou aquele prédio londrino, Mohammad separou-se do irmão nas escadas do edifício. Acabou por voltar para o apartamento, onde ficou "preso" pelo fogo, durante duas horas.

O irmão, um estudante de gestão, de 25 anos, conseguiu sobreviver às chamas e encontra-se internado no Hospital Kings Cross.

A comunidade síria local fez uma vigília de homenagem ao jovem na quarta-feira à noite.

Sobreviveu a Assad para morrer numa torre de apartamentos em Londres", desabafou o amigo Abdulaziz Almashi, em declarações ao Telegraph.

Esta quinta-feira, a primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou, numa breve entrevista à BBC, que haverá uma investigação oficial ao incêndio para “obter todas as respostas sobre o sucedido”. A governante visitou a zona da tragédia, mas não fez declarações no local.