A construção de uma nova mesquita na cidade de Pisa, em Itália, está no centro da discórdia, depois de um grupo de cidadãos ter organizado protestos contra a obra.

A principal justificação para os protestos está na localização do monumento islâmico, que ficará a 400 metros da torre de Pisa.

Segundo os organizadores, o projeto aprovado pela Câmara Municipal pode tornar-se um centro de radicalização, pondo em perigo o monumento mais visitado da cidade. Todos os anos, mais de um milhão de visitantes sobem as escadas da famosa torre.

Os responsáveis pela campanha “Não à mesquita” confirmaram já terem recolhido duas mil assinaturas para uma petição onde se exige que seja feito um referendo sobre este assunto.

O partido italiano de extrema-direita, “Forza Italia”, que lidera o protesto, garantiu que a maioria dos 90 mil habitantes da cidade não aprovam o projeto da nova mesquita.

Um representante local do partido “Forza Italia” disse ao jornal Daily Telegraph que “isto não se trata só de ser construída no local errado, apenas a 400 metros da torre, mas também porque as pessoas sabem que as mesquitas são sítios onde há risco de radicalização”.

O Presidente da Câmara de Pisa, Marco Filippeschi, garantiu que qualquer movimento para impedir a construção da mesquita poderá representar a violação da liberdade de culto, que está consagrada na constituição italiana.

“Durante 20 anos, os muçulmanos de Pisa tem feito o seu culto numa pequena mesquita no centro da cidade e ninguém protestou”, disse Filippeschi. “Não será gasto um cêntimo da administração camarária para construir a mesquita.”

Izzedin Elzir, presidente da União de Comunidades Islâmicas em Itália, considerou que a realização de um referendo sobre a construção da mesquita seria inconstitucional e uma ameaça à liberdade da religião islâmica.

Os nossos direitos devem ser protegidos. Esta campanha é baseada no preconceito e oposição gerada por políticos que querem ganhar votos através da exploração do medo depois dos recentes ataques em França, Bélgica e Alemanha. Eles têm de ser responsabilizados por aumentarem as chamas do preconceito e criarem o pânico”, advertiu o chefe religioso

A população muçulmana de Pisa tem crescido nos últimos anos pelas recentes migrações vindas do norte de África e do Bangladesh.