Eram considerados quatro dos maiores cartoonistas franceses. Lápis afiado e crítica contundente caraterizavam o seu trabalho. Charb, diretor do jornal, Tignous e os veteranos Cabu e Wolinski perderam a vida às mãos de homens armados, que dispararam durante vários minutos dentro das instalações do semanário «Charlie Hebdo».
 

Charb: «Prefiro morrer de pé a viver de joelhos»

 

Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb, era o diretor do «Charlie Hebdo» e tinha 43 anos. Numa entrevista dada há dois anos e agora recuperada pelo jornal «Le Monde», Charb dizia que considerava a sua caneta como uma arma e era contundente:
 
«Pode ser um pouco pomposo que eu digo, mas prefiro morrer de pé do que viver de joelhos», sublinhou na altura.
 
Charb fez carreira nas publicações «L'Echo des Savanes», «Télérama», «Fluide Glacial» e «L'Humanité», antes de ingressar no «Charlie Hebdo».
 
Esta semana, tinha publicado no «Charlie Hebdo» um cartoon altamente premonitório:


Cabu, considerado um dos maiores cartoonistas de França



John Cabut, ou Cabu, caricaturou políticos e homens de negócios. Ninguém escapava ao seu lápis satírico. O trabalho de Cabu começou a ganhar notoriedade ainda na década de 1960.
 
De acordo com o «Le Monde», Cabu completaria 77 anos.  Jean Cabut publicou as primeiras ilustrações quando tinha apenas 16 anos, depois de estudar arte em Paris, na «École Estienne».
 
Um dos personagens mais icónicos de Cabu foi «Mon Beauf», um herói cómico, com um comportamento altamente irritante, que apaixonou os franceses.

 
Cabu trabalhou em alguns dos mais populares e conceituados jornais franceses. «Ici Paris», «Le Figaro», «Le Nouvel Observateur» e «Le Monde» são apenas alguns exemplos.
 
Trabalhou também em televisão, ilustrou diversas capas de discos e escreveu livros.
 
Era o pai do cantor e ilustrador Mano Solo, que morreu em 2010, aos 46 anos, em resultado de vários aneurismas.
 

Wolinski, um pessimista bem humorado



Georges Wolinski tinha 80 anos. Nasceu no seio de uma família judaica e emigrou com a família para França em 1946.
 
Estudou arte e começou a carreira na revista satírica «Hara-Kiri».
 
Nunca abandonou as raízes judaicas e, em 1965, ilustrou o livro «Comment devenir une mère juive en dix leçons» («Como tornar-se uma mãe judia em 10 lições», numa tradução livre).
 
Em 2007, Wolinski colaborou com o advogado francês argelino nascido Pierre-Philippe Barkats no livro «Obrigado, Hanukkah Harry», em que o herói enfrenta as alterações climáticas e outras crises ecológicas.
 
No perfil que o jornal «Le Monde» lhe dedica esta quarta-feira, recorda uma resposta dada por Georges Wolinski, quando questionado sobre a própria morte: «Quero ser cremado. Disse para minha esposa “jogas as minhas cinzas na sanita. Assim, eu posso ver o teu rabo todos os dias”».
 

Simplesmente Tignous

 

Nascido em 1957, em Paris, Bernard Verlhac, conhecido como Tignous, era colaborador regular de publicações como «Charlie Hebdo», «Marianne», «Fluide Glacial», «L'Express» e «Télérama».
 
Em 2008, apresentou-se no palco do Festival de Cannes, com «C'est dur d'être aimé par des cons» («É difícil ser amado por idiotas», numa tradução livre), acompanhado Wolinski, Cabu e Cavanna. O Documentário de Daniel Leconte retratava as ameaças de morte de que tinham sido alvo.
 
 
No blogue «Zepworld», o «Le Monde» publica um cartoon de homenagem aos quatro jornalistas.

 

Oncle Bernard, o candidato

 
 
O cronista Bernard Maris escrevia sob o pseudónimo Oncle Bernard. Economista de formação, colaborava com diversos órgãos de informação além do «Charlie Hebdo», incluindo a France Inter e a i-Télé.
Em 2002, foi candidato às eleições legislativa pelo partido «Os Verdes».

Phillipe Honoré

Ao final da tarde foi divulgado o nome do quinto cartoonista morto durante o ataque contra a redação de Charlie Hebdo: Phillipe Honoré. A identificação de «Honoré» - como era conhecido na sua profissão - foi possível graças a uma testemunha que assistiu ao ataque.

Honoré é o autor do mais recente desenho twittado pelo jornal, momentos antes do ataque.

 
De acordo com o jornal Le Progrés, Honoré era autodidata e publicou o seu primeiro cartoon aos 16 anos no jornal Sud-Ouest, um dos muitos meios de comunicação que se cruzou com os seus desenhos a preto e branco.
Nascido em 1941, trabalhava com o «Charlie Hebdo» desde o seu reaparecimento, em 1992. O seu trabalho participou em inúmeras exposições coletivas.