Um polícia da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, foi preso esta terça-feira por ter disparado contra um homem de raça negra desarmado que fugia a correr. Os oito tiros disparados pelas costas revelaram-se fatais e o incidente foi todo filmado em vídeo. Se for considerado culpado, o polícia enfrenta uma pena de prisão perpétua ou até sentença de morte. De acordo com o mayor da cidade, o polícia foi despedido.

Segundo a polícia, o «Law Enforcement Division South Carolina - SLED», já veio confirmar um homem de raça negra foi identificado como Walter Scott, e o polícia é  Michael Slager, do Departamento de North Charleston. O incidente ocorreu no sábado de manhã depois de uma operação stop. Segundo é possível ver no vídeo, a vítima, com cerca de 50 anos, estava desarmada, e começou a fugir do polícia sem que o motivo fosse claro. O agente não persegue o homem e usa a arma de fogo para parar Walter Scott. Oito tiros depois, o pai de família cai no chão, sem vida. 

«Quando está errado, está errado. Se tomou uma má decisão não me interessa se é polícia ou apenas um cidadão na rua. Tem de sofrer as consequências dos seus atos».


As declarações são do polícia de North Charleston, Keith Summey, que afirmou ainda que a vítima tinha trabalhado dois anos na Guarda Costeira e era pai de quatro filhos. 

Segundo David Aylor, inicialmente advogado de Slager, o polícia garante ter seguido todos os procedimentos adequados, apesar de não só terá disparado oito tiros como também ter usado o teaser para derrubar o homem desarmado.

Tim Scott, senador da Carolina do Sul, fez uma declaração no Twitter em que se pode ler: «O tiroteio sem sentido e o fim da vida de #WalterScott era absolutamente desnecessário e evitável. O meu coração dói por esta família e pela nossa comunidade de North Charleston. Vou acompanhar de perto o caso».

O departamento de Justiça divulgou, esta terça-feira, um comunicado onde garantia que estavam a ser tomadas todas as medidas necessárias tendo em conta os elementos de prova. 

«O Departamento de Investigação da polícia da Carolina do Norte iniciou a investigação juntamente com o SLED, bem como o Departamento de Justiça dos Direitos Civis e o gabinete de advogados estão a colaborar com o FBI para darem o melhor desfecho a este caso».


Scott é descrito pelo irmão como uma pessoa amorosa, bondosa e extrovertida, que «conhecia toda a gente».

«Tudo o que nós queremos é a verdade. Não penso que todas os polícias sejam maus profissionais, mas há alguns e eu não quero ver ninguém a ser alvejado da forma como o meu irmão foi». 


Este foi o último tiroteio fatal de uma série de mortes controversas que envolvem polícias brancos e indivíduos de raça negra. Em agosto do ano passado, Michael Brown, um adolescente negro foi baleado por Darren Wilson, em Ferguson, no Missouri. O incidente desencadeou protestos e iniciou o debate sobre os polícias e o racismo.