A polícia de Copenhaga anunciou este domingo que pensa ter abatido o autor dos dois atentados que fizeram dois mortos e cinco feridos na capital dinamarquesa. Mesmo assim, as autoridades mantêm o estado de alerta.

As autoridades revelaram que o presumível atirador é dinamarquês, tem 22 anos e um «passado violento». O suspeito já era conhecido da polícia pelo seu envolvimento em atividades ligadas a gangues e à posse de armas.

«O presumível autor dos factos está identificado. É um jovem de 22 anos, nascido na Dinamarca, conhecido da polícia por vários delitos, entre os quais infrações à legislação sobre armas e violência e também pelas suas ligações a bandos de delinquentes», indicou a polícia de Copenhaga em comunicado.

Vários órgãos de comunicação social dinamarqueses avançam que o suspeito é Omar El-Hussein, que foi libertado da prisão há duas semanas, depois de ter cumprido pena por ofensas corporais graves, mas a polícia ainda não confirmou esta informação.

O homem é suspeito de querer imitar os atentados ocorridos em janeiro, em Paris, e terá sido «inspirado» pela ideologia de organizações jihadistas como o Estado Islâmico.

«Pode ter sido inspirado pela propaganda militar islamista difundida pelo Estado Islâmico ou outras organizações terroristas», declarou Jens Madsen, dos serviços de informação.

O investigador precisou que no entanto que não há nenhuma indicação de que tenha viajado até à Síria ou ao Iraque.

«Nada indica que tenha havido colaboradores, embora seja uma possibilidade que devemos investigar mais detalhadamente», acrescentou o inspetor Jørgen Skov, em conferência de imprensa.



A polícia começou por revelar, através da rede social Twitter, ter atingido um homem junto à estação de comboios de Noerrebro. Mais tarde, especificou que o suspeito tinha disparado sobre os agentes.

«Não conhecemos as motivações do presumível autor, mas sabemos que há forças que desejam mal a países como a Dinamarca. Querem subjugar a nossa liberdade de expressão», disse a primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt.

Na tarde de sábado, num centro cultural onde era discutida blasfémia e liberdade de expressão, um desconhecido disparou indiscriminadamente, matando um civil e ferindo outros três agentes da polícia.

Depois, voltou a atacar junto a uma sinagoga, deixando uma pessoa ferida, que viria mais tarde a morrer, e dois polícias atingidos a tiro num braço e numa perna.

O civil que viria a falecer já no hospital era judeu, revelou à agência AFP um grupo da comunidade judaica da cidade.

Michael Gelvan, líder do Nordic Jewish Security Council, explicou que uma cerimónia judaica decorria na sinagoga e que a vítima era responsável pelo controlo do acesso ao espaço quando foi baleado.

«Não sabemos ainda nada e é cedo para avaliar», disse o mesmo responsável a propósito dos eventuais motivos do ataque, embora tenha alertado para semelhanças do ataque a um supermercado judeu na capital francesa um dia depois do ataque ao «Charlie Hebdo».

O suspeito esteve em fuga até à madrugada. Os agentes procuravam um indivíduo que abandonou o local do primeiro tiroteio a pé e que vestia roupa escura e um casaco aos quadrados de várias cores.

A polícia difundiu três fotografias captadas pela câmara de segurança. Tratava-se de um homem de «traços árabes», com entre 25 e 30 anos e que levava a cara parcialmente coberta e uma arma automática.
 
O carro utilizado na fuga do centro cultural foi, mais tarde, encontrado a cerca de três quilómetros do local do ataque, mas as armas utilizadas não foram encontradas.

A estação de metro e comboio de Nørreport, uma das principais vias da capital, foi evacuada pela polícia, enquanto um helicóptero sobrevoava o centro da cidade. Foi nesse local que depois a polícia abateu o suspeito.

O episódio foi classificado como um atentado terrorista pela primeira-ministra dinamarquesa e as autoridades elevaram o alerta máximo na cidade, mas não confirmaram que o alvo do ataque era o artista Lars Vilks, presente na sala do primeiro tiroteio, onde estava também o embaixador francês na Dinamarca.

No atentado ao centro cultural foram, segundo testemunhas, disparados entre 30 a 40 tiros. Lars Vilks vive com proteção policial devido às ameaças de grupos islâmicos depois de várias caricaturas sobre Maomé

O homem de 55 anos que faleceu era o cineasta dinamarquês Finn Nørgaard, relatou a televisão pública «DR», informação que ainda não foi confirmada oficialmente.

Finn Nørgaard era também produtor e fotógrafo e tinha realizado vários documentários sobre vários temas, como música, a vida dos presos numa prisão e de um grupo de jovens imigrantes na Dinamarca.

Mundo condena e defende a liberdade de expressão

Os ataques em Copenhaga estão a ser alvo de crítica de diversos países do mundo, que se associam à condenação a atos terroristas perpetrados contra civis e defendem a liberdade de expressão.

O governo português condenou de forma veemente os ataques, considerando-os «particularmente chocantes porque atentam contra a liberdade de pensamento e de expressão» e contra um local de fé.

«Estes ataques são particularmente chocantes porque atentam contra a liberdade de pensamento e de expressão, a sociedade civil - reunida pacificamente - e ainda contra um local de fé», refere uma nota enviada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) à agência Lusa.

O governo manifesta ainda a sua solidariedade com as autoridades dinamarquesas, indicando que continuará a trabalhar com a Dinamarca e restantes parceiros europeus «no combate a todas as formas de violência, ódio e terrorismo».



Já a chanceler alemã, Angela Merkel, garantiu à homóloga dinamarquesa o total apoio do seu Governo na luta antiterrorista. A chefe do executivo de Berlim contactou Helle Thorning-Schmidt pelo telefone para expressar a sua comoção pelos «atentados desumanos», indicou o Governo alemão em comunicado.

«A Alemanha está completamente ao lado da Dinamarca» e ambos os países mantêm-se em «estreito contacto para reforçar a luta contra o terrorismo», prossegue o comunicado.

O governo espanhol enviou mensagens de condolências ao executivo da Dinamarca, com o primeiro-ministro Mariano Rajoy a classificar como «cobarde e cruel» o atentado.

«Perante o cobarde e cruel ato terrorista cometido em Copenhaga, quero fazer-lhe chegar, senhora primeira-ministra, a minha solidariedade e a de todo o povo espanhol», referiu Mariano Rajoy na mensagem enviada à homóloga dinamarquesa.

O primeiro-ministro espanhol manifestou a disponibilidade do governo e das forças de segurança de Espanha para «qualquer colaboração».

Ainda na Europa, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, condenou o ataque e defendeu a necessidade de preservar a liberdade de expressão.
Condeno o tiroteio de Copenhaga», escreveu Cameron, ao salientar que a «liberdade de expressão deve ser sempre protegida».

Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, Bernadette Meehan, porta-voz do Conselho de Segurança da Casa Branca, disse em comunicado que o Governo norte-americano considera «deplorável» o tiroteio de Copenhaga, manifestando ainda a disponibilidade de assistências às autoridades dinamarquesas na investigação do caso.

«Manifestamos as nossas condolências às pessoas próximas da vítima mortal e os nossos pensamentos estão com todos os feridos neste ataque», disse na breve nota ao salientar ainda que o Governo norte-americano está em «contacto estreito» com as autoridades da Dinamarca e «preparado» para disponibilizar a ajuda que seja necessária para a investigação.

O apelo de Netanyahu aos judeus europeus

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, apelou aos judeus europeus a mudarem-se para Israel na sequência dos atentados em Copenhaga,

«De novo um judeu europeu foi morto por ser judeu e este tipo de atentados deve ocorrer novamente», advertiu o primeiro-ministro israelita, indicando que o seu país está preparado para «acolher uma imigração em massa proveniente da Europa».

«A todos os judeus da Europa: eu digo que Israel vos espera de braços abertos», acrescentou.

Segundo Netanuahu, o governo israelita vai adotar um plano para encorajar a imigração de judeus de França, Bélgica e Ucrânia, com um montante de cerca de 45 milhões de dólares (cerca de 40 milhões de euros).

Já o ministro israelita das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, pediu «uma guerra sem quartel» contra o terrorismo islamista.

«A cadeia de acontecimentos terroristas em Copenhaga demonstra o que dizemos há anos: que Israel e os judeus são o para-choques deste terrorismo acima de tudo porque estão na frente de guerra», sublinhou o ministro, em declarações publicadas na edição eletrónica do diário «Yediot Aharonot».

Lieberman reforçou que Israel e os judeus são «a frente de uma guerra que o terrorismo leva a cabo contra o ocidente e o mundo livre».

«A comunidade internacional não deve contentar-se com declarações e protestos contra este terrorismo, mas sim despojar-se da correção política e declarar uma verdadeira guerra sem quartel contra o terrorismo islamista e as suas raízes», concluiu.