As autoridades norte-americanas acreditam que Tashfeen Malik, a mulher que matou com o marido 14 pessoas, num tiroteio na Califórnia, esta quarta-feira, fez uma publicação no Facebook, onde jurava fidelidade a um líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi. Os investigadores pensam que a publicação foi feita pela autora dos ataques, no momento em que estavam a decorrer, usando um nome diferente.

De acordo com a CNN, a polícia não adiantou como tinha apurado que Tashfeen Malik seria a autora da publicação.

Para além disto, as autoridades afirmaram que não conseguiram encontrar o disco rígido dos seus computadores, que os atiradores devem ter feito desaparecer, antes do massacre. Dois telemóveis novos partidos, que se acredita que pertencessem ao casal, foram encontrados num contentor do lixo, perto do local do crime.

Os familiares de Syed Rizwan Farook, o marido, que as autoridades já confirmaram que mantinha contacto regular com terroristas identificados pelo FBI, garantem que não sabiam que o casal tinha ido para a Califórnia, nem tão pouco que se tinha radicalizado.

Os advogados da família garantem que nem o facto de Syed Rizwan Farook e a esposa terem comprado uma grande quantidade de munições, nem as sucessivas viagens do homem à Arábia Saudita – uma em 2013 e outra para casar com Tashfeen Malik – fizeram com que suspeitassem de alguma coisa. Os familiares alegam que não sabiam que o casal tinha um laboratório para construir bombas no apartamento, que partilhavam com a mãe de Tashfeen Malik e a filha de seis meses.
 

“Não havia nada que mostrasse que ela fosse extremista. E ele era um homem normal, em todos os sentidos da palavra”, alegou o advogado da família, Mohammad Abuershaid, à CNN.


Os familiares garantem também que o casal “manteve para si” todo o plano.

A mãe de Farook disse ainda que não suspeitou de nada quando o casal lhe pediu para vigiar o bebé, enquanto iam a uma consulta médica. Quando soube do atentado, quis saber o que se passava com o filho, que acreditava ter sido alvejado e não ser o autor do atentado.

Apesar das recentes provas encontradas, que parecem apontar para um ato de terrorismo, as autoridades norte-americanas garantem que ainda não é possível determinar com certeza as motivações do massacre.
 

“Seria irresponsável e imaturo chamar a isto um ato de terrorismo. O FBI define terrorismo muito especificamente e isso é uma grande questão para nós: qual foi a motivação?”, disse o agente David Bodwich.


O casal não fazia parte da lista de pessoas radicalizadas com relações com grupos terroristas potencialmente perigosas. A polícia está, no entanto, a investigar algumas conversas de Farook com pelo menos uma pessoa com ligações ao terrorismo. Contudo, as autoridades alertam que “estas ligações parecem ser ligeiras”, na medida em que os contactos não eram frequentes.

Apesar disto, o autor do massacre mantinha “comunicações e associações além-fronteiras”, mas que a polícia ainda não sabe “o que significam”.

Outra possibilidade que tem sido colocada é que os ataques tenham sido motivados devido a inúmeras tensões ao longo dos anos entre Farook e os colegas de trabalho. De acordo com a CNN, no emprego "metiam-se com ele", por causa da barba e costumes, o que motivava muitas discussões sobre religião.

Um dos colegas com que costumava discutir era Nicholas Thalasinos, uma das vítimas do massacre.

Mesmo desconhecendo a causa do tiroteio, a polícia acredita que o casal planeava matar muito mais pessoas, pois detinha milhares de munições. Os sinais que encontraram mostram que os ataques foram premeditados e cuidadosamente planeados.