O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, afirmou hoje que a visita do ministro da Defesa português a Díli mostra as boas relações existentes entre os dois países, apesar da expulsão dos juízes portugueses.

«Só posso dizer que a vinda do ministro da Defesa já indica tudo. Já diz que as relações entre os dois países, se ficaram um bocado magoadas, não significa que ficaram um desastre, sobretudo na área da Defesa», afirmou Xanana Gusmão.

O governo timorense expulsou no passado dia 03 sete magistrados, seis portugueses e um cabo-verdiano, e um elemento da polícia portuguesa depois dos conselhos de magistratura de Timor-Leste se terem recusado a suspender os seus contratos de trabalho por motivos de força maior e de interesse nacional.

O primeiro-ministro timorense falava aos jornalistas após um encontro de trabalho de cerca de duas horas com o ministro da Defesa português, Aguiar Branco, que chegou hoje a Díli para assinar um memorando de entendimento no sector da Defesa.

Questionado sobre a forma como o povo timorense interpretou a decisão da expulsão dos magistrados, Xanana Gusmão disse que no país se vive em democracia e que «há muitas opiniões às vezes erradas».

O primeiro-ministro afirmou também que os jornalistas deviam perguntar à comunidade portuguesa em Timor-Leste se «sentiram magoados» ou se «sentiram que não deveriam viver» mais no país.

«Hoje só quero dizer que o ministro da Defesa compreendeu com profundidade todas as nossas necessidades no sector da Defesa, na área da segurança nacional e só posso dizer que estou agradecido pela disposição permanente de nos apoiar neste sector muito importante», salientou Xanana Gusmão.


Quando questionado se aproveitou o encontro com o ministro português para pedir desculpa a Portugal, Xanana Gusmão respondeu com perguntas:

«Eu ofendi Portugal? Acha que eu ofendi Portugal?», questionou, visivelmente emocionado.


«Eu quero separar as coisas o ministro da Defesa veio cá para falarmos sobre a Defesa», insistiu Xanana Gusmão.

Para Aguiar Branco, as «relações entre Portugal e Timor situam-se muito para lá das relações de Estado», sublinhando que são «relações entre países irmãos, povos irmãos».

«Na área da Defesa temos ajudado a construir Timor e portanto, numa área estruturante e portanto essa construção conjunta que temos feitos há 12 não poderia deixar de se manter», sublinhou o ministro da Defesa.


«Nós quisemos aqui hoje voltar a afirmar que essa história comum entre países irmãos, entre povos irmãos, se mantém para lá daquilo que são as questões de Estado», disse.

O ministro da Defesa português sublinhou também que os assuntos relativos à cooperação na área da Justiça estão a ser tratados entre os ministros das Justiças dos dois países, que já decidiram fazer uma reforma como a cooperação acontece naquele setor.

«A relação em outras áreas de cooperação segue o caminho e o da justiça segue caminhos diferentes do que aconteceram no passado», disse, sublinhando que se deslocou a Timor para tratar de assuntos relacionados com a Defesa.