O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, informou esta quarta-feira os membros do seu executivo, durante um jantar em Díli, de que vai deixar a chefia do Governo.

Um dos ministros que participaram no jantar confirmou à Lusa que essa foi uma das mensagens de Xanana Gusmão, que insistiu na necessidade «de encontrar novos líderes».

Durante quase cinco horas, Xanana Gusmão e praticamente todos os membros do executivo - faltaram apenas dois dos 55 - falaram sobre as alterações em curso no Governo.

Depois, na fase final do jantar, Xanana Gusmão entregou presentes aos membros cessantes do Governo.

Isso permitiu confirmar que entre os nomes que saem estão Emília Pires, ministra das Finanças, José Luís Guterres, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Pedro Lay, ministro dos Transportes, e muitos secretários de Estado, entre outros.

Alfredo Pires, que é ainda ministro do Petróleo e dos Recursos Minerais, não recebeu presente, o que indica que apesar de abandonar a pasta, poderá continuar no executivo.

Fonte do Governo confirmou à Lusa que foram pedidos pareceres sobre vários aspetos relacionados com a liderança do país, nomeadamente o que fazer em caso de demissão do primeiro-ministro, como convocar eleições antecipadas e como proceder a uma remodelação governativa.

Questionado pela Lusa à saída do jantar, Xanana Gusmão escusou-se a confirmar se vai ou não demitir-se, explicando que este é um momento «de reflexão» e que nos próximos dias vai falar ao país.

«Vou falar com o Presidente», disse Xanana, sem mais comentários.

A entrega de presentes aos membros que saem do elenco governativo foi marcada por bastante emoção, com abraços demorados e algumas lágrimas.

Um dos cenários atualmente a ser discutido no seio do Governo é a possibilidade de que Xanana Gusmão apresente a sua demissão e depois o seu partido, Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), que tem a maior representação parlamentar, avance com um candidato a primeiro-ministro.

Fonte do executivo disse à Lusa que, em alternativa, o nome mais referido é o de Rui Araújo, que integra o comité central da Fretilin, na oposição, e fez parte do I Governo Constitucional.

Inicialmente, Rui Araújo foi falado como sucessor de Emília Pires na pasta das Finanças, mas, como comentou à Lusa um ministro, «servir a nação ao mais alto nível pode ser necessário».

Fonte da Fretilin disse à Lusa que membros do seu partido que eventualmente venham a integrar o executivo o façam de forma individual e não partidária.

Ainda assim, num cenário como o de Rui Araújo ser primeiro-ministro, poderá ser necessária uma reunião da comissão nacional da Fretilin.

Uma das novidades do futuro executivo é a entrada de membros da Fretilin, que estão a ser convidados de forma individual e não através do partido em si.