Timor-Leste está a viver momentos de grande tensão política e Xanana Gusmão chegou até a devolver a condecoração que tinha recebido do Presidente do país. Taur Matan Ruak tem tecido duras críticas tanto ao líder histórico da resistência timorense, que já foi primeiro-ministro e chefe de Estado, como ao líder da Fretilin.

Ontem, no Parlamento, o Presidente acusou os dois principais dirigentes políticos de Timor, Xanana Gusmão (agora ministro do Planeamento e Investimento Estratégico) e Mari Alkatiri (secretário-geral da Frente Revolucionária de Timor-Leste, de favorecerem amigos e familiares em contratos do Estado.

Foi mais longe nas palavras classificando a situação como "um vírus que se está a espalhar".  

Ruak discursou no Parlamento a propósito da tensão política que se vive na sequência da sua decisão de recusar renovar o mandato ao chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, o major-general Lere Anan Timur. Uma decisão que não está a ser bem recebida pelo Governo que era favorável à recondução. O Presidente prefere o brigadeiro-general Filomeno da Paixão de Jesus. 

Ora esta sexta-feira, em reação às acusações de que foi alvo, Xanana Gusmão devolveu a condecoração com que foi agraciado a 20 de maio do ano passado pelo chefe de Estado.

"A condecoração foi entregue nos serviços de correspondência do Palácio da Presidência da República às 14:30 de hoje", confirmou à Lusa fonte do gabinete de Xanana Gusmão, atual ministro do Planeamento e Investimento Estratégico.

A devolução foi acompanhada de uma carta em que Xanana Gusmão explica o motivo para o fazer,  24 horas depois da polémica intervenção do chefe de Estado timorense.

O líder histórico da resistência de Timor tem dito que, apesar da atual tensão política, os timorenses não permitirão que volte a repetir-se a crise de 2006 e que o país volte a ser descrito como "falhado".

"Timor-Leste foi chamado um país falhado, em 2006, há 10 anos. Acredito que os senhores não estão alheios ao desenvolvimento atual de política interna do país. Quero garantir que não será a segunda vez que a comunidade internacional nos chamará de Estado falhado ou da possibilidade de Estado falhado"