A ação teve toda a crueldade típica do Estado Islâmico. Centenas de soldados xiitas foram separados dos restantes e levados até valas comuns, onde foram metralhados.

O massacre foi registado em vídeo e depois duvulgado nas  sites e redes sociais do Estado Islâmico, como um aviso para todos os potenciais inimigos da organização.

Estes crimes aconteceram na sequência dos avanços fulminantes das forças do Estado Islâmico durante 2014, altura em que até chegou a parecer que a própria capital, Bagdade, poderia cair.

Tikrit, a cidade natal de Saddam Hussein, foi tomada de surpresa pelos extremistas, não obstante haver forças consideráveis do exército na zona. Mais de mil militares foram capturados quando tentatvam fugir de uma base.

Foi então que se deu o massacre.

Nos últimos meses, milícias xiitas com o apoio das Forças Armadas Iraquianas têm revertido parte dos avanços do Estado Islâmico. Tikrit caiu sob o seu controlo há cerca de quatro meses e logo depois começaram os trabalhos de escavação das valas comuns. Cerca de 600 corpos já foram retirados, mas o número final poderá ser muito superior.

As forças governamentais conseguiram também capturar 28 suspeitos de participação nas execuções, que foram agora julgados. Há mais 604 que são procurados.

Durante o julgamento, que terminou esta quarta-feira, os condenados proclamaram repetidamente a sua inocência e garantiram que as suas confissões prévias foram obtidas mediante tortura. 

Os familiares das vítimas não acreditaram nestes protestos e até interromperam o julgamento para atacar os acusados com sapatos e garrafas de água.