Um monge tibetano morreu depois de se imolar pelo fogo no sudoeste da China, num aparente protesto contra a ocupação chinesa da região, informaram hoje um grupo de defesa da independência do Tibete.

O monge, um sexagenário identificado como Tenga, morreu na prefeitura autónoma tibetana de Ganzi, na província de Sichuan, onde se tinham sido registados dois casos idênticos este ano, informou a organização não-governamental (ONG) Free Tibet, com sede no Reino Unido.

De acordo com os dois grupos, este é o quinto tibetano a imolar-se pelo fogo na China desde o início do ano e, pelo menos o 150.º desde 2009, em protesto contra a ocupação chinesa do Tibete.

Uma outra ONG, a Campanha Internacional pelo Tibete (ITC, na sigla em inglês), difundiu um vídeo de um minuto, no qual um homem surge deitado no chão, em chamas. As imagens mostram ainda a intervenção de agentes da polícia, com cobertores e um extintor.

Segundo a ITC, o monge gritou "Liberdade ao Tibete", enquanto ardia. A ONG não adiantou se o homem sobreviveu.

Pequim condena este tipo de protesto e alega que tem apoiado o desenvolvimento do Tibete.

Para o Governo chinês, a sociedade tibetana viveu até 1951, quando foi ocupada pelas tropas chinesas, em "servidão feudal, numa teocracia muito distante da civilização moderna".

O líder político e espiritual dos tibetanos, o dalai-lama, que Pequim acusa de ter "uma postura separatista", vive exilado na vizinha Índia, na sequência de uma frustrada rebelião contra a administração chinesa em 1959.

Seguidores do dalai-lama, que em 1989 recebeu o prémio Nobel da Paz, acusam Pequim de tentar destruir a identidade religiosa e cultural do Tibete.