Tão amigas que nós somos, parece ser o caso. Andrea Leadsom foi a última oponente à primeira-ministra Theresa May na corrida para a liderança do partido Conservador e, consequentemente, chefe do Governo britânico. Desistiu, no início da semana e deixou-lhe o caminho livre. Agora, depois da pasta da Energia, torna-se ministra do Ambiente neste novo executivo.

O novo governo britânico está formado e é agora revelado na sua totalidade, um dia após a designação de Theresa May, de 59 anos, como chefe de governo pela rainha Isabel II. Nos seus 90 anos, é a 13ª vez que designa um primeiro-ministro.

Theresa May entrou quarta-feira no número 10 de Downing Street como primeira-ministra. Nas suas primeiras palavras, ladeada pelo marido Philip, um alto quadro da banca na City, elegeu a justiça social na Grã-Bretanha como pedra de toque da sua governação.

Depois, já dentro de portas, sabe-se que falou com a líder alemã Merkel e o presidente francês Hollande, sobre o Brexit. Defendeu necessitar de tempo para preparar a saída do Reino Unido da União Europeia.

Dupla pelo Brexit enfrentará Bruxelas

Boris “Brexit” Johnson é o mais conhecido ex-autarca britânico. Chefiou o município de Londres e bateu-se forte e feio pela saída do Reino Unido da União Europeia. Vai ser o ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Theresa May, também ela uma eurocética, que ainda assim, publicamente esteve do lado do Remain.

A nomeação de “Brexit” Johnson já começou a provocar ondas de choque e as reações entre os governantes europeus não parecem abonar a seu favor.

Não estou preocupado com Boris Johnson, mas conhecem o seu estilo, os seus métodos durante a campanha: ele mentiu ao povo britânico”, acusou o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, em declarações à rádio Europe 1.

Jean-Marc Ayrault assumiu mesmo que preferia ”um parceiro com quem possa negociar e que seja claro, credível e fiável”.

Entre os 23 ministros do novo governo, só sete se bateram pelo Brexit. Um dos quais é David Davies, que aos 67 anos vai assumir o ministério criado à medida, para negociar a saída do Reino Unido da União Europeia.

É mais um peso-pesado dos eurocéticos britânicos que assume a dianteira no novo governo britânico de Theresa May, a segunda mulher a ocupar a chefia do governo, 26 anos após Margaret Thatcher.

Manter a união do reino

Sem tempo a perder, e com necessidade de ganhar fôlego para negociar o Brexit, Theresa May tem pela frente o regresso dos desejos independentistas de escoceses e norte-irlandeses.

O referendo em que cerca de 52% dos britânicos se decidiram pelo abandono da União Europeia registou resultados contrários nos dois países, incluídos no Reino Unido.

Sexta-feira, Theresa May viaja ate à Escócia. Tem um encontro marcado com Nicola Sturgeon, a primeira-ministra escocesa que, na sequência dos resultados do referendo, voltou a levantar a ideia de um novo referendo para conseguir a independência.