Sem volta a dar. Apesar de ter defendido a manutenção do Reino Unido na União Europeia, Theresa May, de 59 anos, assume desde já que o resultado do referendo, em que cerca de 52% dos britânicos se decidiram pelo Brexit, é intocável.

Não haverá tentativas de permanecer na União Europeia, nem de tentar regressar pela porta de trás, nem um segundo referendo”, são as palavras de Theresa May, registadas pela imprensa britânica, no dia em que ficou assente que irá ser a nova inquilina do número 10 de Downing Street.

Vinte seis anos depois de Margaret Tatcher ter abandonado a chefia do governo britânico, uma mulher do partido Conservador volta a chefiar os destinos do Reino Unido. Sucede ao seu colega de partido David Cameron, que anunciou a sua demissão após conhecer os resultados do referendo que validaram o Brexit.

Eurocética, mas defensora da manutenção do Reino Unido na União Europeia, Theresa May terá que assumir as negociações de saída com Bruxelas, que não serão fáceis, segundo declarações da chanceler alemã Angela Merkel, no fim de semana.

A decisão foi tomada e o próximo passo será – e a Grã-Bretanha dá-lo-á apenas quando tiver uma nova primeira-ministra – invocar o artigo 50” do Tratado de Lisboa, sublinhou Merkel, numa entrevista à cadeia alemã de televisão ZDF.

Agora é que são elas

Os timings da britânica May e da chanceler alemã Merkel, no que respeita à urgência da saída britânica da União Europeia, poderão até não coincidir e não estar tão bem calendarizados quanto a transição de poder no Reino Unido nos próximos dias.

O ainda primeiro-ministro David Cameron estará quarta-feira no parlamento, na habitual sessão de perguntas e respostas dos deputados. Depois, apresentará formalmente a sua renúncia à rainha, que deverá posteriormente convidar Theresa May a assumir o governo.

Esta segunda-feira, a ministra do Interior foi já designada líder dos Conservadores britânicos. Prometeu na hora, unir tanto o partido quanto o país, sob uma “visão positiva” do futuro.

Uma visão de um país que funcione não para os poucos privilegiados, mas para cada um de nós, porque vamos dar às pessoas maior controlo das suas vidas e será assim que, todos juntos, contruiremos uma Grã-Bretanha melhor”, afirmou Theresa May, após ser designada como líder dos Tories.